Mundo

Pais da criança que morreu ao cair num poço dizem estar a ser ameaçados pelo dono do terreno

Os pais de Julen, José Rosello e Victoria Garcia

Alex Zea

Depois de terminada a fase de investigação à morte de Julen, a tensão entre os implicados aumentou.

Os pais da criança de 2 anos que morreu ao cair num poço em Espanha acusam o proprietário do terreno de os ameaçar, com a mãe a admitir mesmo que sente medo.

O Ministério Público espanhol acusou David Serrano de homicídio por negligência e, desde então, as acusações entre famílias têm aumentado.

Segundo o El Español, a mãe de Julen diz ter sido insultada várias vezes pelo homem e admitiu sentir medo. "Quando vou ao cemitério tenho medo, porque sempre que me vê, insulta-me", explicou Vicky.

Também o pai da criança, José, corroborou esta acusação, num programa espanhol, Espejo Público.

"Já encontrei a minha mulher a chorar várias vezes porque encontrou algum familiar que a insultou."

Para além dos insultos, a família de Julen garante ainda que David Serrano acelera o carro a fundo e aumenta o volume da música, sempre que passa na rua da casa onde vivem.

Daniel Perez

David Serrano nega acusações

O dono do terreno desmentiu as acusações feitas pelos pais de Julen, defendendo que quem o conhece, sabe que é mentira.

"Lamento muito pelo que estão a passar. Sei que é uma situação difícil, sobretudo para eles, mas daí insultar alguém... as pessoas que me conhecem sabem que é mentira. Ninguém tem que ter medo de mim."

A defesa de David Serrano recorreu da acusação feita pela procuradora encarregue do caso, alegando que o proprietário tinha alertado os pais da criança para a existência de várias prospeções de poços no terreno.

DANIEL PEREZ

Julen morreu devido à queda no poço

"A causa da morte foi a extrema velocidade", revelou a autópsia definitiva, que concluiu que Julen morreu às 13:50 de 13 de janeiro, o mesmo dia em que caiu no poço.

Segundo as autoridades, citadas pelo El País, depois de cair no buraco de 25 centímetros de largura e 70 metros de profundidade, o tempo de sobrevivência de Julen "foi curto".

O jornal espanhol explica ainda que a autópsia descarta a possibilidade de a criança ter morrido devido a um golpe da picareta que os bombeiros usaram durante os primeiros momentos das operações de busca, para eliminar a camada de terra que os separava do menino. Até porque as operações de busca começaram por volta das 17:00, três horas depois de Julen ter morrido. Esta foi a tese defendida pela defesa de David Serrano.