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Suécia recusa extraditar fugitivo para a China por possibilidade de tratamento desumano

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Homem é acusado de lavagem e desvio de dinheiro.

A máxima instância jurídica da Suécia recusou hoje extraditar um fugitivo para a China, justificando que o detido ficaria sujeito a pena de morte, tortura ou tratamento desumano, o que violaria a Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

O Supremo Tribunal ditou que a extradição de Qiao Jianjun "não pode acontecer".

Ex-chefe de uma instalação de armazenamento de grãos na China, Qiao é acusado de lavagem de dinheiro e desvio de milhões de dólares, entre outras ofensas.

Foi inicialmente detido na Suécia, em agosto de 2018, a pedido da China, mas acabou por ser libertado em 19 de junho, e detido novamente cinco dias depois, a pedido dos Estados Unidos, onde é acusado de lavagem de dinheiro, na Califórnia.

Qiao permanece detido a aguardar uma decisão sobre se pode ou não ser extraditado.

"Há o risco de que na China seja submetido a perseguição por razões políticas" e "condenado à morte e submetido a tortura, tratamento ou punição desumanos ou degradantes", argumentou o tribunal.

A mesma instância considerou "provável" que Qiao tenha cometido os alegados crimes, em 2011, e que se estima envolverem o desvio de 31 milhões de dólares.

Qiao, que também é conhecido como Feng Li, deixou a China em 2011 e mudou-se para os Estados Unidos, onde se naturalizou cidadão norte-americano.

Em 2019, pediu asilo à Suécia, mas até hoje não foi tomada qualquer decisão sobre o pedido de asilo, segundo o tribunal.

A emissora sueca SVT noticiou que Qiao mora na Suécia com um nome diferente desde 2015.

Não houve reação imediata do Governo chinês.

Lusa.