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Morreu o fundador da Primark, o homem que criou a moda do "fast fashion"

O CEO da Primark, Arthur Ryan, à esquerda, ao lado do Primeiro-ministro irlandês Enda Kenny e o diretor executivo Paul Marchant na inauguração a loja Primark em Alexanderplatz, em Berlim, em jullho de 2014

BRITTA PEDERSEN

Arthur Ryan fundou a Primark e criou um género próprio: a "moda low cost" que revolucionou o pronto a vestir a preços baixos. Morreu esta semana, vítima de doença repentina, segundo a cadeia que reclama ter a "maior quota de mercado no Reino Unido, Irlanda, Espanha e Portugal"

Michele Tantussi

De gestor a lenda

Arthur Ryan nem sequer era dono das lojas Primark. Em 1969 foi o escolhido pelos milionários anglo-canadianos Garfield Weston e Galen Weston para abrir um novo conceito de lojas de roupa barata na capital da Irlanda. Assim nascia a primeira Penneys - o equivalente a centavos para as libras ou dólares - no número 47 da Mary Street em Dublin.

Para Arthur Ryan foi uma oportunidade de regressar a casa, após vários anos a trabalhar em lojas de retalho de Londres onde teve o primeiro contacto com Garfield Weston que lhe lançou o desafio de lançar uma loja de roupa a preços acessíveis.

Suzanne Plunkett

“Amazing Fashion, Amazing Prices”

O lema que deu notoriedade à Penneys que ainda existe com o nome original na Irlanda. Em 1973 quis crescer no Reino Unido onde a norte americana JC Penney já tinha os direitos do nome. Assim nascia a Primark.

Em pouco mais de 4 décadas, a marca tornou-se numa gigante do retalho, uma das maiores do mundo.

Com mais de 370 lojas em 12 países, maioritariamente na Europa, Portugal incluído, mas também nos EUA, com mais de 75 mil empregados.

A Portugal chegou em 2009 e, hoje, já tem 10 lojas, de Braga a Almancil, passando por Coimbra, Porto, Almada a Portimão. Em Abril deste ano, foi inaugurada a maior loja de sempre da marca, com 5 andares e quase 50 mil metros quadrados de área, em Birmingham, no Reino Unido, segundo a BBC.

Simon Dawson

Arthur Ryan, o gestor reservado que saltou para os escaparates

Há 10 anos afastado da presidência executiva da empresa, Arthur Ryan nunca abandonou a "casa-mãe". Continuou ligado aos negócios, ainda que num plano secundário e sempre reservado.

Raramente dava entrevistas e manteve a vida privada longe dos olhares públicos durante as décadas em que fundou e geriu o império até 2015 quando o nome saltou para os escaparates dos jornais por ter perdido o filho Barry, de 51 anos, o neto Barry Davis Ryan, de 21 anos e a namorada, Niamh O'Connor, de 20 anos, num acidente na costa de Baltimore, na Irlanda. Barry terá saltado para o mar para salvar o filho e a namorada, que teriam sido arrastados por uma onda.

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O escândalo da moda barata "a todo o custo"

Em 2013 a Primark volta a ser notícia pelas piores razões. Arrolada no escândalo da roupa low cost feita à custa de mão de obra barata de países asiáticos, como o Bangladesh.

Para responder à derrocada da fábrica de têxteis que provocou 1.127 mortos no Bangladesh, empresa irlandesa de roupa 'low-cost' anuncia um "programa de reabilitação médica e profissional, gerido por Organizações Não Governamentais (ONG) locais e internacionais".

No ano passado, em 2018, um outro incêndio consumiu o edifício histórico de cinco andares do Banco em Belfast, Irlanda do Norte de roupas onde funcionava uma loja Primark. As chamas engoliram completamente a cobertura e destruíram o relógio símbolo do edifício para se espalhar pelo edifício de cinco andares.

Liam McBurney