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Capitã do navio Sea Watch 3 "a caminho da Alemanha"

Guglielmo Mangiapane

A comandante do navio humanitário tinha sido detida, acusada de colidir contra uma embarcação da polícia de fronteira.

A capitã do navio humanitário "Sea Watch 3", Carola Rackete, suspeita em Itália de ajuda à imigração ilegal, saiu de Sicília em direção à Alemanha, anunciou hoje a organização não-governamental (ONG) à agência de notícias France-Presse.

A alemã Carola Rackete está "a caminho da Alemanha", indicou um porta-voz da organização Sea-Watch, sem especificar a data ou o destino "por razões de segurança".

A comandante do navio humanitário tinha sido detida, em 29 de junho, por entrar no porto italiano de Lampedusa, ignorando um bloqueio imposto pelo ministro do Interior, Matteo Salvini, e acusada de colidir contra uma embarcação da polícia de fronteira, quando desembarcou com 40 migrantes resgatados da Líbia.

Três dias depois, um juiz anulou o mandado de detenção, dizendo que a comandante do navio humanitário tinha agido para salvar vidas, mas Carola Rackete continua sob investigação.

Na quinta-feira, Rackete foi interrogada por promotores italianos da cidade siciliana de Agrigento, suspeita de estar a ajudar a imigração ilegal e sob investigação por ignorar o bloqueio determinado pelo Governo de Roma.

A capitã do "Sea Watch 3" pediu no mesmo dia à Comissão Europeia para evitar novos impasses políticos.

O advogado de Rackete, Alessandro Gamberini, disse aos jornalistas que, depois da detenção ter sido anulada, a sua constituinte é livre de regressar à Alemanha, seu país de origem, mas que ela ainda pudera permanecer em Itália.

Gamberini também disse que criminalizar as pessoas por salvar vidas humanas no mar é um ato de "irresponsabilidade".

O ministro do Interior italiano, Salvini, defendeu uma postura dura contra a migração ilegal, fechando os portos italianos a barcos humanitários.

Salvini culpa os navios de ação humanitária de estarem a ajudar os traficantes de seres humanos, resgatando os migrantes que tentam atravessar o Mediterrâneo, para entrarem na Europa de forma ilegal.

Lusa

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