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Riham morreu momentos depois da fotografia

A imagem de três crianças no meio dos escombros que está a correr o mundo mostra os efeitos dramáticos do longo conflito na Síria

A imagem de três crianças presas nos escombros de um prédio atingido por um bombardeamento na região noroeste da Síria está a correr mundo e a mostrar, uma vez mais, os efeitos dramáticos deste conflito iniciado em 2011.

Na imagem, que se tornou viral ao ser publicada e reproduzida pelos 'media' a nível global e pelas redes sociais, vê-se duas meninas presas no meio dos escombros de um prédio, sendo que uma delas, identificada como Riham, de 5 anos, está a segurar com um dos seus braços a roupa de uma outra criança mais nova, a sua irmã Touka de 7 meses, que parece estar suspensa.

Ao lado de Riham, igualmente presa por um bloco de betão, está outra rapariga, também sua irmã, identificada como Dalia.

A imagem também mostra um homem que está de pé em cima dos escombros, a gritar, sentindo-se impotente perante a situação dramática das três crianças.

Riham morreu momentos depois da fotografia ter sido tirada

A fotografia foi tirada pelo repórter fotográfico Bashar el-Sheikh, do jornal 'online' local SY24, na quarta-feira em Ariha, uma cidade da província de Idlib (noroeste da Síria) e alvo de raides aéreos conduzidos pelas forças do regime sírio de Bashar al-Assad, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Riham morreu momentos depois da imagem ter sido captada, enquanto Touka e Dalia foram hospitalizadas em Idlib.

"Touka sofreu um traumatismo craniano. Esteve com respiração assistida durante 24 horas e encontra-se atualmente nos cuidados intensivos. O seu estado é estável, se Deus quiser", afirmou, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP), uma fonte médica.

Por sua vez, Dalia, que sofreu ferimentos na zona do peito e que foi operada, "encontra-se em estado estável", referiu outra fonte médica.

A mãe desta família de seis irmãs morreu durante o bombardeamento. Rowane, de 3 anos, que também fazia parte desta família, morreu esta sexta-feira devido aos ferimentos que sofreu nas zonas da barriga e do peito.

Outras duas irmãs também ficaram feridas, mas sobreviveram.Desde finais de abril, o regime sírio, apoiado pela Rússia (aliado tradicional de Damasco), intensificou os bombardeamentos na província de Idlib e em outras áreas circundantes, ainda controladas por forças insurgentes e 'jihadistas'.

O caso de Omran Daqneesh

Em quase três meses, os ataques aéreos, quase diários, mataram cerca de 740 civis, incluindo mais de 180 crianças, segundo a OSDH.

O número de crianças mortas na província de Idlib nas últimas quatro semanas já ultrapassou o balanço de todo o ano de 2018, denunciou, na quinta-feira, a organização não-governamental (ONG) Save the Children.Não é a primeira vez que uma imagem mostra ao mundo como o conflito sírio está a atingir particularmente as crianças.

Em agosto de 2016, Omran Daqneesh, então com cinco anos, tornava-se o símbolo do sofrimento da população de Alepo, cidade do norte da Síria.

A imagem então divulgada mostrava Omran, ensanguentado e cheio de pó, sentado sozinho no interior de uma ambulância.

Mais de 370 mil mortos

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 370 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

Quando a escola está em ruínas

Mais de um ano depois da derrota do Daesh em Raqa, na Síria, muitos dos edifícios escolares da cidade estão em ruínas e os parques infantis estão repletos de carros destruídos.

Em busca de uma vida melhor

Milhares de civis fugiram da cidade de Afrine, face ao avanço das forças turcas nesta cidade do noroeste da Síria. São milhares de inocentes, vítimas de uma guerra que parece não ter fim e que fogem em busca de um futuro melhor.