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Bruxelas apela ao refrear da tensão entre Índia e Paquistão

Channi Anand

O Governo indiano anunciou, na segunda-feira, a revogação da autonomia constitucional da Caxemira.

A Comissão Europeia instou hoje a um refrear da tensão entre a Índia e o Paquistão, após o Governo indiano ter decidido revogar a autonomia constitucional de Caxemira.

"A nossa principal mensagem é que é muito importante evitar qualquer escalada de tensão em Caxemira e na região", afirmou o porta-voz comunitário responsável pela pasta dos Assuntos Externos na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia em Bruxelas.

Carlos Martín Ruiz de Gordejuela indicou que a União Europeia está a acompanhar "com atenção" os acontecimentos em Jammu e Caxemira.

"Entendemos que este tema tem dimensões legais e políticas, estando também a ser debatido a nível parlamentar", acrescentou.

O Governo indiano anunciou, na segunda-feira, a revogação da autonomia constitucional da Caxemira, uma decisão explosiva para a região, marcada por conflitos separatistas.

As autoridades nacionalistas hindus aprovaram um decreto presidencial para abolir um estatuto especial do estado de Jammu-Caxemira, garantido pela Constituição indiana.

O anúncio foi feito no Parlamento pelo ministro do Interior, Amit Shah, e foi recebido com indignação por parte da oposição.

O governante explicou aos membros da câmara alta que o Governo decidiu dividir o estado em dois territórios: Jammu e Caxemira, que terá um parlamento, e Ladakh, que será governado diretamente pelo Governo central.

No mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, rejeitou a revogação da autonomia constitucional da Caxemira pela Índia, alegando que a medida viola uma resolução da ONU.

Qureshi disse que o Paquistão vai aumentar os esforços diplomáticos para impedir que a revogação da autonomia constitucional da Caxemira entre em vigor.

O presidente da Caxemira controlada pelo Paquistão, Sardar Masood Khan, também rejeitou a ordem presidencial e disse que a Índia "pode entrar em guerra" com o Paquistão em tal situação.

A região de Caxemira está dividida entre a Índia e o Paquistão, duas potências nucleares que já travaram duas guerras pelo domínio da zona.

Os dois países disputam a região montanhosa na totalidade, desde a partição do subcontinente, em 1947, no final da época colonial britânica.

Diferentes grupos separatistas combatem, há várias décadas, a presença de cerca de 500 mil soldados indianos na região, para exigir a independência do território ou a integração no Paquistão.

Dezenas de milhares de pessoas, na grande maioria civis, morreram no conflito.

Lusa

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