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Pequim proíbe participação chinesa em festival de cinema

Hsieh Ying-xuan e Xu Zheng, atriz taiwanesa e ator chinês, foram distinguidos na 55ª edição dos Prémio Golden Horse, no ano passado.

Tyrone Siu/ REUTERS

Os participantes chineses são os grandes vencedores do Prémio Golden Horse, desde que foram convidados pela primeira vez a participar, em 1996.

A China informou hoje que proibiu atores e filmes chineses de participarem no Prémio Golden Horse, de Taiwan, uma das mais prestigiadas distinções da indústria cinematográfica na Ásia, em mais uma medida para pressionar Taipé.


O anúncio, difundido pelo China Film News, um jornal afiliado à agência que regula a indústria no continente chinês, não detalhou os motivos para a suspensão, mas a medida ocorre no momento em que Pequim exerce crescente pressão financeira e diplomática sobre Taiwan.


Mesmo sem aquela proibição, seria difícil para os artistas chineses participarem na cerimónia, que decorre no final de novembro. Pequim proibiu recentemente viagens individuais a Taiwan, alegando o deteriorar das relações com a ilha democraticamente governada.


A participação chinesa já estava em dúvida, desde que a cerimónia do ano passado ficou marcada pelo descontentamento chinês com o discurso do produtor de documentários Fu Yue, que apelou ao mundo para reconhecer Taiwan como um país independente, algo que menos de vinte nações fazem atualmente.


Os participantes chineses recusaram-se então a subir ao palco e fizeram observações pontuais sobre Taiwan e China serem membros da mesma família. No final, recusaram-se a comparecer no banquete de receção.


Citado pela agência noticiosa Associated Press, o comité organizador disse lamentar a notícia, mas confirmou que o evento continuará como planeado.


Fu provocou fortes críticas na China depois de afirmar, no discurso de aceitação do prémio de melhor documentário, que a sua maior esperança era que o "país" fosse considerado uma "entidade independente".


A Presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, expressou o seu apoio a Fu, afirmando que os prémios anuais destacam as liberdades que separam Taiwan da China.

"(Em Taiwan) não há pessoas que desapareçam ou sejam silenciadas por expressarem pontos de vista diferentes", escreveu.


Figuras do setor de entretenimento em Taiwan e Hong Kong têm sido habitualmente banidos da China continental depois de expressarem visões pró-independência ou pró-democracia.


China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo Governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.


No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana.


Pequim cortou todos os contactos com o Governo da Presidente taiwanesa Tsai Ying-wen pouco depois da sua eleição, em 2016, e desencorajou as visitas de cidadãos chineses a Taiwan, enquanto aliciou vários países a terminarem as relações diplomáticas com a ilha e bloqueou a participação de Taipé em reuniões internacionais.


Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorreu em outubro de 2017, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.

Lusa