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Político de Nova Iorque escondeu até à morte que era mulher

LIBRARY OF CONGRESS

História está a ser recordada na sua terra natal, na Escócia.

Murray Hall, político e empresário de Nova Iorque que nasceu em 1841, escondeu até à morte que era uma mulher. A sua história está a ser contada na sua terra natal, na Escócia, para “trazer as pessoas LGBTQI+ de volta à história”.

Nasceu em Govan, na Escócia, como Mary Anderson. Durante a adolescência começou a vestir-se como homem e acabou por fugir para os Estados Unidos depois da primeira mulher ter revelado a sua identidade à polícia. Foi lá que assumiu o nome de Murray H. Hall, que manteve até à morte.

Murray casou-se uma segunda vez e lançou carreiras na política e negócios. Só em 1901, quando morreu vítima de cancro, é que se descobriu que nasceu mulher.

Automedicou-se para tratar o cancro

Segundo o New York Times, Murray sofria de cancro da mama há vários anos, mas nunca havia procurado ajuda médica com medo de ser descoberto, tendo acumulado uma coleção de livros de medicina que usou para se tratar.

Só no final da vida consultou um médico, descobrindo que lhe restava pouco tempo.

“As pessoas ficaram muito irritadas”

De acordo com a escritora e arquivista Mel Reeve, após a morte de Murray as pessoas “ficaram muito irritadas e sentiram-se traídas”, especialmente pela influência política que exerceu e por ter podido votar numa época em que as mulheres não tinham direito ao sufrágio.

“Acho que sentiram que era uma transgressão (…). Mas, obviamente ele apenas viveu a vida como queria, ou seja, como homem”, afirmou à BBC.

Ao jornal norte-americano um colega de Murray contou que “ele ia ao bar e tomava o uísque como qualquer veterano, não fazia caretas. Se era uma mulher, devia ter nascido homem, porque viveu assim e aparentava sê-lo”.

A história de Murray Hall será lembrada numa oficina da Biblioteca Feminina de Glasgow, na Escócia.