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Porque querem os Estados Unidos comprar a Gronelândia?

Lucas Jackson

Recursos naturais e a influência no Ártico são apontados como motivos.

Na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu cancelar a visita oficial à Dinamarca marcada para setembro depois da primeira-ministra daquele país ter recusado a venda da Gronelândia. Mas, afinal, porque é que Trump quer comprar o território dinamarquês?

Interesse antigo

O interesse do Presidente dos EUA na maior ilha do mundo não é novo. Em 2018, durante um encontro na Sala Oval, em tom de brincadeira disse que queria comprar a ilha para ter acesso aos seus recursos naturais, como urânio e carvão.

Também não é a primeira vez que os Estados Unidos tentam comprar a Gronelândia. Em 1946, o presidente Harry Truman teve a mesma ideia, mas a oferta acabou por ser rejeitada.

Base militar aérea

Com mais de dois milhões de quilómetros quadrados e cerca de 57 mil habitantes, a Gronelândia é parte do território da Dinamarca e alberga uma das maiores bases militares aéreas dos Estados Unidos, com 600 oficiais. É a única instalação militar dentro do Círculo Polar Ártico e, segundo o site Defensenews, é “ideal para rastrear mísseis balísticos intercontinentais e satélites em órbita terrestre baixa”.

Localização estratégica

Para além do ponto de vista da defesa dos EUA, a zona é importante estrategicamente porque, segundo explica Jonathan Marcus, analista de assuntos diplomáticos da BBC, “conforme avança o degelo na região ártica, as rotas marítimas abrem-se e o local torna-se cada vez mais crucial para os países que lhe estão fisicamente próximos”.

Recursos naturais

A localização estratégica aliada ao degelo tornam-no um território desejado pelas grandes potências. Com as mudanças climáticas e o degelo do Ártico, o acesso aos recursos naturais da região torna-se mais fácil. Estima-se que o Ártico, onde a Gronelândia está localizada, detenha 13% das reservas de petróleo a serem descobertas no mundo.

A ilha tem também alguns dos maiores depósitos de “terras raras” do mundo, entre os quais neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. As chamadas "terras raras" são matérias-primas fundamentais para produção de tecnologias de comunicação e energia, como turbinas eólicas e veículos elétricos, entre outros.

Em 2013, foi também suspensa a proibição para atividades de mineração de materiais radioativos como o urânio.

O recado da Dinamarca

Os planos de Trump sobre a Gronelândia foram recebidos pela primeira-ministra da Dinamarca com espanto, considerando a ideia “absurda”.

"A Gronelândia não está à venda. A Gronelândia não é dinamarquesa, é da Gronelândia. Espero sinceramente que não tenham sido declarações sérias", disse.