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Investigador francês detetou falha no sistema de voto eletrónico russo

O criptógrafo francês encontrou "uma falha de segurança do protocolo testado recentemente".

Um investigador francês conseguiu detetar uma brecha no sistema de votação eletrónica que será usado nas eleições locais em Moscovo, após responder a um desafio de uma Rádio opositora do regime de Vladimir Putin.

Pierrick Gaudry, criptógrafo do Laboratório da Universidade de Lorraine para a Pesquisa em Ciência da Computação, no leste da França, aceitou um desafio feito pela Internet por Alexei Venediktov, editor-chefe da Echos, uma estação de Rádio de Moscovo opositora ao regime do Presidente Vladimir Putin, para encontrar falhas no sistema de votação eletrónico para as eleições locais que se realizam em Moscovo, em 08 de setembro.

Venediktov anunciou esta quarta-feira que pagou um milhão de rublos (cerca de 13.500 euros) ao investigador francês, bem como a outros especialistas que detetaram falhas no sistema.

O criptógrafo francês encontrou "uma falha de segurança do protocolo testado recentemente", explicaram especialistas da Universidade de Lorraine e do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

Todos os dias, "dados criptografados correspondentes a votos fictícios e uma chave pública" foram publicados para que os usuários experimentassem a qualidade da criptografia, de acordo com o comunicado dos institutos de pesquisa.

"Pierrick Gaudry mostrou que, com um computador normal e com 'software' livre acessível a todos, conseguiu descobrir a chave privada (que permite às autoridades contarem os votos e que é secreta) em cerca de 20 minutos", explicaram fontes do CNRS e da Universidade de Lorraine.

Segundo os investigadores, um pirata informático poderia ter obtido essa chave privada em apenas 10 minutos.

Com a brecha baseada no pequeno tamanho da chave pública (que permite aos eleitores votarem), o cálculo da chave privada foi muito simples de fazer, o que permitiria ao pesquisador "ser capaz de acompanhar os resultados das eleições russas ao vivo", de acordo com o CNRS e com o departamento de pesquisa da Universidade de Lorraine.

Desde a publicação do trabalho de pesquisa, em 14 de agosto, "os responsáveis pelo processo eleitoral propuseram um novo protocolo com uma chave pública mais longa", dizem os especialistas.

Segundo as autoridades de Moscovo, a chave de criptografia, mais complexa, será dividida em sete partes separadas, mantidas separadamente até ao final da votação.

Para a eleição do Parlamento de Moscovo, em 08 de setembro, o sistema de votação eletrónica será usado apenas em alguns distritos, a título de teste.

Para esta eleição, os candidatos próximos de Putin estão em dificuldade, nas sondagens, num contexto de estagnação económica e de declínio dos rendimentos da população.

A exclusão da maioria dos candidatos da oposição, para estas eleições, provocou o maior movimento de protesto no país desde o regresso de Vladimir Putin ao Kremlin, em 2012.

Em Moscovo, a campanha eleitoral tem sido marcada por várias manifestações não autorizadas para exigir eleições livres, que já resultaram em milhares de detenções, nas últimas semanas.

Lusa

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