Mundo

Aumento das temperaturas pode pôr em risco a sobrevivência dos lagartos

Sergey Savvi

Há uma diminuição das populações de lagartos devido ao "aumento da temperatura global associado às alterações nos regimes de chuva, perda de 'habitat' e fragmentação", adianta o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO).

O aumento das temperaturas provocado pelas alterações climáticas pode pôr em risco a sobrevivência dos lagartos, concluiu uma equipa internacional, em colaboração com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO)

Em comunicado, o centro de investigação da Universidade do Porto explicou hoje que a investigação, publicada na revista Nature Communications, visava responder à questão "Como prever o efeito das alterações climáticas, nomeadamente da temperatura, na sobrevivência dos lagartos nos diferentes ambientes?".

"Muitas populações de lagartos estão a decrescer como consequência do aumento da temperatura global associado às alterações nos regimes de chuva, perda de habitat e fragmentação", revela o CIBIO-InBIO. Desta forma, 45 investigadores de 17 países juntaram-se para estudar a análise genómica e a fisiologia de um grupo de lagartos - os lacertídeos - que estão amplamente distribuídos pela Europa, Ásia e África. Os investigadores analisaram o genoma de mais de 260 espécies de lacertídeos com o intuito de "inferir a sua história evolutiva" e realizaram experiências para determinar a temperatura preferida destes animais, bem como a sua tolerância à falta de água em condições áridas.

"Conforme já observado em outros lagartos, o estudo agora publicado aponta que muitas espécies de lacertídeos vivem hoje em ambientes onde as condições climáticas são muito próximas aos limites da sua fisiologia", frisou o centro de investigação.

Em comunicado, Miguel Carretero, coautor do artigo, explica que os resultados obtidos "demonstram que, apesar dos lacertídeos se terem originado num período de clima quente, à medida que a temperatura do planeta posteriormente arrefeceu um grupo de espécies, que inclui muitas das agora presentes em Europa, adaptaram-se e passaram a ocupar regiões de clima frio". "O que foi adequado para o passado pode agora lhes colocar no limite da extinção se a tendência atual de aquecimento do clima continuar", afirmou o investigador.

Tendo em conta que a sobrevivência de muitas espécies poderá estar ameaçada pelo aumento rápido das temperaturas, os investigadores identificaram dois grupos de "especial interesse" e "prioritários para a conservação": os lacertídeos de zonas tropicais e os que habitam em zonas de clima temperado, como na Europa. "Na Península Ibérica, a diversidade de lagartos abrange espécies adaptadas tanto a climas quentes e secos quanto a frios e húmidos", lê-se no comunicado.

Segundo o estudo realizado, as espécies de climas frios e húmidos serão as mais expostas às mudanças previstas no clima, entre elas espécies endémicas como a Lagartixa-da-montanha, a Lagartixa-de-Carbonell e a Lagartixa-de-Valverde".

"Se nada for feito para minimizar os efeitos das alterações climáticas a curto prazo, outras espécies com características fisiológicas similares podem ser igualmente afetadas", conclui o Miguel Carretero.

Lusa

  • Sporting perde no arranque da caminhada europeia

    Liga Europa 2019/2020

    "Leões" perderam por 3-2 com o PSV, na Holanda.