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Presidenciais de hoje na Tunísia com 26 candidatos e forte indecisão do eleitorado

MOHAMED MESSARA

Ligeira vantagem para um magnata dos media, preso desde o mês passado.

A Tunísia celebra hoje eleições presidenciais antecipadas e afirma-se como o país que iniciou a Primavera árabe a prosseguir na via da democratização, dinâmica que colide com a crise económica e o regresso de uma elite do antigo regime.

As projeções não são conclusivas sobre quem será o futuro Presidente do país entre os 26 candidatos que se apresentam à primeira volta de domingo neste país do norte de África com 11,5 milhões de habitantes e sete milhões de inscritos nos cadernos eleitorais.

Nas vésperas do escrutínio permanecia a incerteza e todos os cenários estavam em aberto devido à forte indecisão do eleitorado.

Inicialmente previsto para 17 de novembro, o escrutínio foi antecipado após a morte do Presidente Béji Caid Essebsi em 25 de julho.

Entre os candidatos, e para além atual primeiro-ministro, Youssef Chahed, 43 anos, dois já foram primeiros-ministros e oito, incluindo o chefe do Governo, membros ou próximos do partido Nidaa Tounes, vencedor das legislativas em 2014, atualmente em desagregação, sem apresentar candidato e limitando-se a apoiar o ministro da Defesa, Abdelkarim Zbidi.

Duas mulheres concorrem ao escrutínio, a advogada anti-islamita Abir Moussi que reivindica a herança do antigo regime do ditador Zine el Abidine Ben Ali e defensora de um Estado "forte", e uma antiga ministra, Salma Elloumi.

A instância eleitoral do país (Isie) proibiu a divulgação de sondagens, mas segundo os estudos que circulam o favorito seria o controverso magnata dos media Nabil Karoui, na prisão desde 23 de agosto após uma tentativa falhada de o afastar da corrida através da alteração da lei eleitoral.

O partido islamita moderado Ennahda (Movimento do Renascimento), um ator incontornável da política interna, optou por designar o advogado e atual presidente interino do parlamento, Abdelfattah Mourou, 71 anos, apesar da oposição do líder do partido.

Os observadores admitem que Mourou, conhecido pela sua eloquência, poderá seduzir algum eleitorado indeciso. Mas vai confrontar-se com o antigo secretário-geral do Ennahda e primeiro-ministro entre 2011 e 2013, Hamadi Jebali, em rutura com o partido desde 2014.

Diversos candidatos parecem surgir muito próximos nas projeções, em particular Chahed, Zbidi e Mourou. No entanto, outros intervenientes, incluindo Karoui que permanece detido, poderão provocar uma surpresa.

A campanha eleitoral, com uma eventual segunda volta a ser realizada a 13 ou 20 de outubro, ficou ainda assinalada pelo facto de as questões socioeconómicas terem permanecido no centro dos debates em detrimento da luta antiterrorista, um tema omnipresente durante muito tempo numa Tunísia traumatizada pelos atentados, e mesmo que permaneçam as inquietações securitárias.

Lusa