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Rei de Espanha entende que nenhum candidato tem condições para formar Governo

Thilo Schmuelgen

Impasse político mantém-se em Espanha.

O rei de Espanha, Felipe VI, decidiu esta terça-feira não propor o líder socialista, Pedro Sánchez, como candidato a ser reconduzido como primeiro-ministro e está prestes a dissolver o parlamento e marcar novas eleições para 10 de novembro próximo.

Segundo um comunicado da Casa Real espanhola, publicado depois de uma ronda de conversações, em Madrid, com quinze líderes partidários, Felipe VI constatou que "não existe um candidato com os apoios necessários" e assim "não formula uma proposta de candidato" a primeiro-ministro.

Se a situação não se desbloquear nos próximos dias, o rei de Espanha está constitucionalmente obrigado a dissolver o parlamento e a marcar eleições depois de segunda-feira, 23 de setembro, daqui a menos de uma semana.

Felipe VI constata a falta de opções para formar um Governo estável, depois de se reunir segunda-feira e hoje com todos os partidos com assento parlamentar.

Quase cinco meses depois das eleições legislativas ganhas pelo primeiro-ministro e líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Pedro Sánchez, em 28 de abril último, o país continua num impasse político.

Se forem marcadas eleições, as quartas nos últimos quatro anos, as sondagens indicam que tanto o PSOE como o PP (Partido Popular, direita) sobem na intenção de votos dos espanhóis, mas continuaria a haver dificuldade em formar um Governo estável, sem uma maioria clara de partidos de esquerda ou de direita.

Pedro Sánchez parecia agora, mais uma vez, ser o único candidato a tentar ser reconduzido, depois de em julho último, o parlamento já ter chumbado uma primeira tentativa para ser investido.

Um mês e meio depois, Pedro Sánchez continuou sem conseguir encontrar os apoios necessários à sua investidura, nomeadamente do Unidas Podemos (extrema-esquerda).

O PSOE defendeu até ao último minuto um acordo "à portuguesa" -- acordo parlamentar com Governo exclusivamente socialista -, enquanto o Unidas Podemos defendia uma coligação governamental com ministros da extrema-esquerda.

Nas legislativas de abril último, o PSOE obteve 123 deputados (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox 24 (10,26%), tendo os restantes deputados sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

A Espanha tem assistido a uma grande instabilidade política desde que em 2015 terminou o anterior sistema bipartidário -- em que PSOE e PP se intercalavam no Governo -- com a entrada no parlamento do Podemos (extrema-esquerda) e do Cidadãos (direita liberal).

Nas eleições de abril último o parlamento ficou ainda mais fragmentado com o aparecimento do Vox (extrema-direita) que conseguiu mais de 10% dos votos.

Com Lusa