O objeto fora de vulgar que foi detetado por um astrónomo amador na Crimeia em agosto está oficialmente identificado: é um cometa que veio do espaço interestelar, o segundo observado a atravessar o nosso sistema solar.
Foi-lhe dado o nome 2I/Borisov pela União Astronómica Internacional (IAU), em homenagem de quem o descobriu, depois do nome provisório C/2019 Q4 (Borisov). C significa que o cometa tem uma órbita hiperbólica, seguido do ano da descoberta, um código alfanumérico que indica o momento do ano e em parênteses o nome de quem o descobriu - Gennadiy Borisov, o astrónomo amador que detetou o objeto através de um telescópio que ele próprio construiu.
O nome oficial é mais simples: I significa interstelar e 2 pelo facto de ser o segundo objeto que viajou de outro sistema solar e que foi detetado no nosso.
Mas os astrónomos não têm estado ocupados apenas a nomear o cometa. Têm estado afincadamente a estudá-lo.
De acordo com as análises feitas até agora, o cometa está atualmente numa rota em direção ao Sol e atingirá o ponto mais próximo da nossa estrela a 8 de dezembro, quando estiver a uma distância de 300 milhões de quilómetros - cerca do dobro da distância entre a Terra e o Sol.
Assim, não passará nem pouco mais ou menos perto da Terra: não se aproximará mais do que 300 milhões de quilómetros.
A ilustração mostra a trajetória do cometa C/2019 Q4. Considerado um objeto interestelar, não se aproximará mais da Terra do que cerca de 300 milhões de quilómetros.
NASA/JPL-Caltech
O primeiro objeto interestelar conhecido
Com um formato singular, um cometa observado no dia 19 de outubro de 2017, numa trajetória em direção ao Sol, foi considerado o primeiro objeto interstelar detetado no nosso sistema solar e ficou conhecido por 'Oumuamua.
'Oumuamua, o primeiro objeto interestelar conhecido.
European Southern Observatory / M. Kornmesser