Mundo

Bolsonaro mantém ministro do Turismo indiciado por fraude eleitoral

Adriano Machado

"O Presidente da República aguardará o desenrolar do processo. O ministro permanece no cargo."

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, irá manter no cargo o seu atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, indiciado hoje por fraude eleitoral pela Polícia Federal, disse à imprensa local o porta-voz da Presidência da República.

"O Presidente da República aguardará o desenrolar do processo. O ministro permanece no cargo", respondeu o porta-voz, Otávio Rêgo Barros, ao ser questionado pelos jornalistas brasileiros acerca da situação do ministro do Turismo dentro do executivo.

A Polícia Federal brasileira indiciou hoje o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, pelo crime eleitoral de omissão na prestação de contas de campanha e pelo crime de associação criminosa.

Marcelo António é suspeito de ter participado num esquema de recolha ilegal de fundos para a campanha eleitoral de 2018.

O indiciamento foi apresentado ao Ministério Público de Minas Gerais, onde tinham sido registadas as alegadas irregularidades que incidem sobre o ministro e outras dez pessoas, todas ligadas ao Partido Social Liberal (PSL), formação política do atual Presidente do país.

O Ministério Público, que confirmou ter recebido a denúncia da Polícia Federal, deverá agora analisar o caso e decidir se apresenta queixa perante a Justiça pelos supostos crimes de fraude eleitoral e apropriação indevida de fundos da campanha.

O atual líder do PSL na Câmara dos Deputados, Waldir Soares de Oliveira, disse ao portal de notícias G1 ser favorável à permanência do ministro no cargo até uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o caso.

"Primeiro, precisamos esperar para verificar se o Ministério Público fará a denúncia. Depois, se ela será acatada pela Justiça. Até lá, ele não pode ser considerado culpado. Já vi muitos casos de indiciamento e, depois, a pessoa é considerada inocente", afirmou o deputado.

O caso veio a público no final do ano passado, por suspeitas de que Marcelo Antonio tenha promovido o uso de "candidatos fantasmas" no estado de Minas Gerais, a fim de aumentar as verbas que o partido de Bolsonaro recebia do chamado "fundo do partido", constituído por dinheiro público e destinado a financiar campanhas políticas.

A denúncia apoia-se em alguns testemunhos, como o que foi prestado por uma mulher, identificada como Zuleide Oliveira, que afirmou ter sido "induzida" pelo agora ministro a concorrer pelo PSL para um cargo de deputado em Minas Gerais, em troca de ceder ao partido o dinheiro que lhe correspondia desse fundo público.

Nas suas declarações, Zuleide Oliveira disse que o atual ministro participou diretamente nessas negociações, apesar de saber que ela "não tinha nenhuma experiência" em política, nem possibilidade de ser eleita.

Apesar de o caso ser investigado há meses, Bolsonaro manteve Marcelo Antonio à frente da pasta do Turismo, embora tenha esclarecido que se o ministro fosse formalmente acusado perante a Justiça, seria imediatamente demitido.

Lusa