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Ópera de Los Angeles mantém investigação a Plácido Domingo apesar da demissão

Mario Anzuoni

Advogada encarregada confirma que a investigação aa alegados abusos sexuais por parte de Plácido Domingo vai prosseguir, apesar do tenor espanhol já ter abandonado a direção da ópera nos Estados Unidos

"Estamos conscientes da demissão apresentada [Notes:na quarta-feira] por Plácido Domingo. Porém, tanto nós [Notes:investigadores] como a Ópera de Los Angeles acreditamos que é importante que a investigação exaustiva e independente continue", disse na quinta-feira Debra Wong Yang, a advogada da sociedade Gibson, Dunn & Crutcher, responsável pela investigação citada pela agência de notícias Efe.

Debra Wong Yang foi designada no passado mês de agosto pela Ópera de Los Angeles para dirigir uma investigação interna ao comportamento de Plácido Domingo, como diretor-geral da instituição, na sequência das acusações de assédio sexual contra o tenor, feitas por oito cantoras e uma bailarina, em situações ocorridas ao longo de mais de três décadas.

Desde então, tanto Debra Wong Yang como a sua equipa mantiveram silêncio sobre a investigação ao alegado comportamento de Placido Domingo, que se demitiu na quarta-feira da ópera de Los Angeles, que dirigia desde 2003.

O único pormenor conhecido da investigação era uma mensagem enviada pela advogada a trabalhadores da ópera, convidando-os a relatar factos que fossem do seu conhecimento, relacionados com as acusações, conforme noticiado pelo diário Los Angeles Times.

O tenor espanhol Plácido Domingo demitiu-se na quarta-feira de diretor-geral da Ópera de Los Angeles.

"Enquanto continuo o meu trabalho para limpar o meu nome, decidi que é do melhor interesse da Ópera de Los Angeles que me demita como diretor-geral e que deixe as minhas atuações futuras", afirma o tenor num comunicado emitido pelo seu representante.

No comunicado, Plácido Domingo, de 78 anos, explica que "as acusações recentes nos 'media' criaram uma atmosfera" que o "impede de ser útil" a esta entidade.

Após conhecer a decisão de Domingo, a Ópera agradeceu o contributo "sem precedentes e profundo" para a vida cultural de Los Angeles.

No mês de agosto, a Associated Press publicou uma longa investigação, com quase 50 pessoas entrevistadas a confirmarem comportamentos impróprios por parte de Plácido Domingo.

Desde a publicação da investigação, a Orquestra de Filadélfia e a Ópera de São Francisco anunciaram os cancelamentos das atuações programadas do tenor, enquanto o Festival de Salzburgo, na Áustria, decidiu manter os concertos previstos, tendo a presidente do evento, Helga Rabl-Stadler, sublinhado o "tratamento apreciativo para com todos os funcionários do festival".

Na semana passada, o tenor Plácido Domingo abandonou a produção de "Macbeth", da Ópera Metropolitana de Nova Iorque, que deveria estrear-se na quarta-feira, anunciando que não voltaria a pisar o palco da 'Met'.

A Ópera Metropolitana de Nova Iorque também divulgou um comunicado, na altura, no qual sugeriu que foi a companhia a pedir a Plácido Domingo para sair.

Com Lusa