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Chefe da diplomacia dos EUA recebido em Atenas com protestos

Chefe da diplomacia dos EUA recebido em Atenas com protestos

"Pompeo go home" ("Pompeo vai para casa"), lia-se numa enorme faixa erguida por manifestantes num desfile pelo centro da capital grega.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, foi recebido com um protesto de milhares de pessoas em Atenas, onde se deslocou para assinar um acordo de defesa.

Milhares de manifestantes juntaram-se frente ao Parlamento grego, ao som de palavras de ordem do partido e dos sindicatos comunistas, em protesto contra a visita de um dia e meio do secretário de Estado norte-americano ao país.

"Pompeo go home" ("Pompeo vai para casa"), lia-se numa enorme faixa erguida por manifestantes num desfile pelo centro da capital grega, onde o trânsito foi cortado e um forte dispositivo policial destacado.

Após o encontro que manteve com o primeiro-ministro grego, o conservador Kyriakos Mitsotakis, Mike Pompeo afirmou à imprensa que "a Grécia pode ter um papel estratégico na região" e "pode ser um pilar de estabilidade" na zona.

A visita tem por objetivo reforçar a cooperação com a Grécia, aliado tradicional dos Estados Unidos na região e membro da NATO, numa altura em que se acentua a pressão da Turquia no Mediterrâneo Oriental.

Segundo fontes governamentais gregas e norte-americanas, Pompeo e Mitsotakis vão assinar um acordo para "atualizar a cooperação em matéria de defesa" entre os dois países.

O primeiro-ministro grego evocou a situação de tensão no Mediterrâneo Oriental, onde a ilha de Chipre, membro da União Europeia (UE), acusa a Turquia de operações de perfuração ilegais na sua zona económica exclusiva (ZEE).

"Chipre pediu a aplicação do direito internacional e eu espero a contribuição positiva dos Estados Unidos para um clima mais construtivo na região", disse.

A UE voltou na sexta-feira a criticar as perfurações ilegais da Turquia na região, depois de Ancara ter anunciado que vai realizar perfurações com o seu navio "Yavuz", no chamado bloco 7, nas águas do sudoeste de Chipre, adjudicado às empresas petrolíferas italiana Eni e francesa Total.

Após Chipre ter decidido licitar a empresas internacionais a exploração de jazidas de gás natural, a Turquia - que mantém sob controlo militar o norte de Chipre - protestou contra esta iniciativa "unilateral" e enviou para a zona diversos navios de exploração geológica e de perfuração.

A visita de Mike Pompeo à Grécia é a última etapa de uma viagem que o levou a Itália e aos Balcãs.

Lusa