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Novos confrontos em Quito entre manifestantes e a polícia

Carlos Garcia Rawlins

Homens com a cara coberta lançaram pedras e projéteis artesanais contra as autoridades.

Manifestantes e forças policiais envolveram-se esta sexta-feira em novos confrontos em quito, no décimo dia de protestos contra o aumento do preço dos combustíveis no Equador e a instauração do estado de emergência pelo Governo de Lenín Moreno.

Homens com a cara coberta e protegidos por placas de madeira lançaram pedras e projéteis artesanais contra as forças da ordem, após a polícia ter tentado dispersar os manifestantes com gás lacrimogéneo, apoiada por veículos antimotim.

Em paralelo, cerca de mil índios da Amazónia peruana, que chegaram hoje a Quito com lanças, juntaram-se à mobilização dos povos autóctones, que lideram a contestação social, anunciou à agência noticiosa AFP Apawki Castro, porta-voz da Confederação das nacionalidades indígenas do Equador (Conaie).

A principal organização indígena do país rejeitou na quinta-feira o diálogo com o Governo de Moreno e apelou à "radicalização das ações".

Cinco civis, incluindo um dirigente indígena, foram mortos pela polícia desde o inicio dos protestos, anunciaram os serviços do Defensor do Povo, um organismo estatal, que também se referiu a 554 feridos e 929 detenções.

O estado de emergência foi decretado por 60 dias, para além do recolher obrigatório em torno das instituições do poder, enquanto as Forças Armadas também foram convocadas para restabelecer a ordem. No total, 74.000 militares e polícias foram mobilizados.

Na quinta-feira, o Governo referiu-se a 133 polícias feridos. O movimento social de protesto, assinalado por bloqueios de estradas e dos poços petrolíferos da Amazónia, manifestações por vezes violentas, e greves, tem características inéditas e não se registavam no país andino desde 2007.

Em 01 de outubro, o Presidente Lenín Moreno, que sucedeu a Rafael Correa e decidiu adotar uma agenda liberal, anunciou o fim da subvenção aos combustíveis menos caros e os mais utilizados, no âmbito de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que prevê um empréstimo de 4,2 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros) em troca de reformas.

Lusa

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