Mundo

BE repudia condenações em Espanha e pede libertação "dos presos políticos catalães"

MIGUEL A. LOPES

Bloco de Esquerda repudiou hoje "a reiterada tentativa por parte do Estado espanhol em procurar resolver um conflito eminentemente político" na Catalunha recorrendo à repressão e prisão

Albert Gea

O Tribunal Supremo espanhol condenou na segunda-feira, em Madrid, os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, no caso do ex-vice-presidente do governo catalão.

Em comunicado a que a agência Lusa teve acesso, a Comissão Política do BE defendeu que "a condenação efetiva do exercício de direitos políticos representa um ataque aos princípios fundadores do Estado de Direito democrático e aos mais elementares direitos cívicos e políticos".

"Assim, o Bloco de Esquerda repudia a reiterada tentativa por parte do Estado espanhol em procurar resolver um conflito eminentemente político através da repressão e da prisão, e apela à libertação de todos os presos políticos catalães, ao regresso dos exilados sem represálias e ao fim da repressão na Catalunha", pode ler-se no mesmo texto.

Na perspetiva dos bloquistas, "em democracia, as opiniões diferentes e o exercício da oposição pacífica não podem ser atacados judicialmente".

"Entendemos, por isso, tal como o afirmámos no passado, que só a via do diálogo político e democrático, no estrito cumprimento do direito dos povos à sua autodeterminação, pode resolver a questão catalã", apelou aquele órgão do BE.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos.

Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros da Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão.

O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior, Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia.

Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

Os factos reportam-se a 2017 sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram sedição visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num "levantamento público e tumultuoso" para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o comprimento das decisões judiciais.

O presidente do Governo espanhol em funções, Pedro Sánchez, considerou, entretanto, que as sentenças do Tribunal Supremo sobre a tentativa de proclamação da independência da Catalunha confirmam o "naufrágio" e o "fracasso" do projeto independentista.

Assim que foi conhecida a sentença, uma série de grupos de independentistas iniciaram movimentos de protesto em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

A polícia antidistúrbios carregou sobre um grupo que protestava no exterior do aeroporto de Barcelona, enquanto outros grupos separatistas incendiaram pneus para impedir a circulação de comboios e alguns bloquearam a circulação rodoviária em estradas da região.