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Irão diz que "esgotou a paciência" com a Europa sobre a questão nuclear

Tobias Schwarz

"A Europa demonstrou ser incapaz de cumprir as suas obrigações, e assim esgotou-se a paciência do Irão nesta questão estratégica."

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, afirmou esta quarta-feira que se esgotou a paciência do Irão com os três países europeus que assinaram o acordo nuclear de 2015 (França, Reino Unido e Alemanha) por incumprimento dos compromissos.

"Infelizmente, não vimos uma ação efetiva. A Europa demonstrou ser incapaz de cumprir as suas obrigações, e assim esgotou-se a paciência do Irão nesta questão estratégica", disse Zarif durante uma reunião com a homóloga sul-africana Nadeli Pandor, informou a agência noticiosa semioficial Tasnim.

Os Estados Unidos retiraram-se em 2018 do acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irão e as seis grandes potências mundiais (EUA, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido), e impôs duras sanções económicas e diplomáticas a Teerão.

O Irão iniciou desde maio passado a redução gradual dos seus compromissos incluídos no acordo, e que tem ocorrido de dois em dois meses.

Na segunda-feira, o Presidente iraniano, Hassan Rohani, tinha manifestado disponibilidade para reunir com os líderes das principais potências, incluindo os EUA, para discutir o acordo nuclear, desde que não contribua para a campanha presidencial de Donald Trump.

O Presidente do Irão acusou ainda o Governo norte-americano de ter cedido a pressões de grupos extremistas, de sionistas (referentes a Israel) e da Arábia Saudita, quando decidiu romper o acordo nuclear, acrescentando que, dessa forma, "cometeu um enorme erro".

Rohani disse ainda manter bons laços com a Rússia e a China, mas também denunciou os países europeus ocidentais que ainda se mantêm no acordo nuclear assinado em 2015 por se terem deixado corromper pelos Estados Unidos e "não cumprem as suas promessas".

Até se encontrar um novo acordo, o Presidente iraniano disse que o seu país manterá a estratégia de reduzir os seus compromissos no tratado nuclear vigente, continuando a aumentar a produção de urânio enriquecido, bem acima dos níveis estabelecidos.

Lusa