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"Linha dura" no Irão ameaça manifestantes com execuções por enforcamento

Masoume Aliakbar

Sugere execuções para aqueles que liderarem protestos violentos.

Os membros da "linha dura" governamental no Irão ameaçaram esta terça-feira com execuções por enforcamento os manifestantes violentos, no âmbito dos protestos que ainda persistem em algumas partes do país devido ao aumento da gasolina decretado pelo Governo.

Um artigo publicado hoje no jornal Kayhan, conotado com a "linha dura" do regime iraniano, sugere execuções para aqueles que liderarem protestos violentos. Embora o jornal estatal tenha uma pequena circulação, o seu editor-chefe, Hossein Shariatmadari, foi nomeado pessoalmente pelo líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.

O jornal também repetiu uma alegação de que os líderes das manifestações vieram do exterior. No domingo, Khamenei indicou que os manifestantes são aqueles que estavam alinhados com a família do falecido xá do Irão (Reza Pahlavi), expulsos há 40 anos, e um grupo de exilados chamado Mujahedeen-e-Khalq (MEK). O MEK pede a queda do Governo do Irão e conta com o apoio do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani.

Ainda não está claro quantas pessoas foram presas, feridas ou mortas nos protestos que começaram na sexta-feira e espalharam-se rapidamente em pelo menos 100 cidades no Irão. As autoridades impediram o acesso à internet no sábado, uma interrupção que persistiu na segunda-feira em todo o país, com 80 milhões de pessoas.

Os meios de comunicação públicos mostraram um vídeo em que vários exemplares do alcorão eram queimados numa mesquita nos subúrbios da capital, Teerão.

O aumento dos preços da gasolina representa mais um fardo para os iranianos que sofreram um doloroso colapso da sua moeda após a retirada unilateral dos Estados Unidos, decidida pelo Presidente Donald Trump, do acordo nuclear iraniano (assinado em 2015) com as potências mundiais e a reintrodução de sanções económicas.

O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, prometeu que o aumento do preço do combustível será usado para financiar subsídios para famílias de baixos rendiemntos, mas a decisão desencadeou uma raiva generalizada entre os iranianos.

As forças de segurança permaneceram hoje nas ruas de Teerão, mas em menor número. O tráfego também parecia estar a fluir melhor, depois de parte das pessoas abandonarem os seus carros nas principais estradas durante as manifestações.

Com a interrupção da internet e os fracos serviços telefónicos, permanece difícil conhecer a situação em algumas partes do país.As autoridades reconheceram cinco mortes, mas não apresentaram dados para todo o país.

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos emitiu um comunicado dizendo que estava "profundamente preocupado" com os relatos de uso de munição real contra manifestantes e também instou os integrantes dos protestos a manifestarem-se pacificamente.

O porta-voz do Alto Comissariado, Rupert Colville, acrescentou que tem sido "extremamente difícil" verificar o número total de mortos e feridos.

Lusa

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