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Número de mortos em confrontos na Bolívia sobe para três

Rodrigo Sura

Aumento do número de mortos é consequência de violentos confrontos entre manifestantes pró Evo Morales e agentes de segurança do exército e da polícia.

O número de mortos em confrontos entre manifestantes e o exército, que tentavam reabrir uma refinaria bloqueada por apoiantes de Evo Morais perto de La Paz, subiu para três, existindo ainda 30 feridos, anunciou a Defensoria do Povo da Bolívia.

"De acordo com as últimas informações preliminares, três pessoas morreram devido a disparos de arma de fogo. Desconhecemos as circunstâncias em que ocorreram", refere aquela entidade, cuja missão é proteger os direitos e liberdades dos bolivianos.

Os feridos foram transportados para hospitais em La Paz e Alto, segundo a Defensoria, que refere que alguns apresentam "ferimentos graves que requerem cirurgias", alertando para a necessidade de médicos e medicamentos "com urgência".

A Defensoria do Povo exige a desmobilização das Forças Armadas "para evitar mais mortes", entendendo que a situação na Bolívia "apenas necessita de intervenção policial para fins de dissuasão e diálogo".

As autoridades bolivianas reabriram esta terça-feira o acesso à refinaria de Senkata, a 50 quilómetros de La Paz, bloqueada desde quinta-feira por apoiantes de Evo Morales.

Dezenas de apoiantes do ex-Presidente Evo Morales, que renunciou em 10 de novembro antes de se exilar no México, começaram a bloquear o acesso à refinaria na passada quinta-feira, em protesto contra a Presidente interina, Jeanine Áñez.

O aumento do número de mortos registado nos últimos dias é consequência de violentos confrontos entre manifestantes pró Evo Morales e agentes de segurança do exército e da polícia.

O país sul-americano enfrenta uma grave crise política desde as eleições presidenciais em 20 de outubro.

Com a renúncia de Evo Morales, os seus apoiantes têm-se manifestado diariamente nas ruas de La Paz e em algumas províncias para exigir a saída de Jeanine Áñez, acusada de dar luz verde à violenta repressão policial que já matou pelo menos 24 pessoas.

A Presidente interina prometeu eleições presidenciais e legislativas num futuro próximo, enquanto um diálogo iniciado pela Igreja Católica tem reunido o governo, a oposição e a sociedade civil para tentar tirar a Bolívia da crise.

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) acusou o Governo interino da Bolívia de tomar "medidas abusivas", como o decreto que concede imunidade aos militares, e denunciou o assédio a jornalistas independentes e políticos da oposição.

"Desde que Jeanine Áñez assumiu a presidência interina, o governo adotou e anunciou medidas alarmantes que vão contra os padrões fundamentais de direitos humanos", refere a organização em comunicado.

Lusa