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Relatório da Uber revela quase 6.000 denúncias de agressões sexuais em viagens nos EUA

Rafael Marchante

No documento registam-se 235 violações no ano passado, ou "penetração sexual não consensual".

A plataforma de transporte de passageiros Uber divulgou um relatório na quinta-feira no qual são reportadas, por utilizadores, motoristas e por terceiros, quase 6.000 denúncias de agressões sexuais, nos EUA, em 2017 e 2018.

As outras agressões são divididas entre diferentes categorias de toque ou tentativas de tocar ou penetrar em áreas sexuais ou não sexuais. A Uber contabiliza 3.000 "toques não consensuais de uma parte sexual do corpo" ao longo de dois anos.

"Esses incidentes foram relatados em 0,00002% das viagens e, embora raros, cada um desses casos representa um indivíduo que partilhou uma experiência muito dolorosa - mesmo um único relatório seria um caso a mais", sublinhou o gigante global de transporte de passageiros.

É a primeira vez que a Uber divulga este relatório, já que a empresa e sua principal rival americana, Lyft, estão sob crescente pressão para lidar com o crescente número de reclamações feitas pelos utilizadores sobre abusos.

Na quarta-feira, 20 mulheres entraram com ações em tribunal em São Francisco contra a Lyft por agressões sexuais ou violações que ocorreram em veículos com motorista afiliados à empresa da Califórnia. Outras 14 queixas semelhantes deram entrada em setembro.

As ações levaram as duas empresas a implementar várias medidas para melhor garantir a segurança dos passageiros.

No relatório da Uber também se indica que 107 pessoas perderam a vida devido a acidentes em 2017 e 2018, durante as viagens solicitadas a partir da sua aplicação.

Finalmente, 19 pessoas foram mortas em agressões relacionadas a viagens da Uber nesses dois anos, entre estas oito passageiros e sete motoristas.

Lusa