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Retrato nu de Emiliano Zapata montado num cavalo excitado gera onda de indignação

Carlos Jasso

Mexicanos consideram que o antigo líder revolucionário é apresentado como homossexual.

Centenas de manifestantes invadiram o Palácio de Belas Artes na Cidade do México, na terça-feira, por causa de uma pintura que mostra o herói revolucionário Emiliano Zapata nu com uma pose pouco convencional.

De sombrero cor-de-rosa, saltos altos e montado num cavalo branco excitado: é assim que surge Zapata no retrato pintado pelo artista plástico Fabián Cháirez, que faz parte da exposição "Zapata después de Zapata", que pretende apresentar visões alternativas da revolução mexicana.

Esta é apenas uma das 141 obras apresentadas na mostra e já tinha sido exposta noutros locais desde 2014. A polémia começou quando o Ministério da Cultura utilizou o retrato para promover o evento nas redes sociais.

Eduardo Verdugo

Á porta do museu, centenas de mexicanos gritaram: "queima, queima", argumentando que a pintura é ofensiva. A familia de Zapata partilha da mesma opinião, referindo que a imagem denigre a figura do antigo líder revolucionário, representando-o como gay.

"Não vamos permitir isto", disse a família à Associated Press, explicando que irá processar o museu caso o retrato não seja retirado.

Eduardo Verdugo

Depois dos protestos, o artista plástico sentiu a necessidade de explicar a inspiração para esta representação de Emiliano Zapata. Fabián Cháirez teve a ideia de conceber a obra nestes moldes porque "a masculinidade de Zapata é glorificada".

"Há pessoas que sentem desconforto com corpos que não obedecem às regras. Neste caso, onde está a ofensa? Eles veem uma ofensa porque Zapata é feminizado", defendeu.

Também Luis Vargas, curador da exposição, disse que a pintura é simplesmente uma representação artística que desencadeia debates sobre questões da sociedade mexicana, incluindo a homossexualidade. Os responsáveis pelo museu garantiram que a obra não será retirada, apesar das ameaças dos manifestantes.

Emiliano Zapata foi um líder na revolução mexicana antes de ser assassinado em 1919, aos 39 anos. É considerado por muitos mexicanos como um herói, visto que, apesar de ter sido um agricultor pobre, tomou uma posição contra a apropriação de terras pelos mais ricos.

A exposição termina em fevereiro de 2020.

Com Associated Press