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Greves em França entram no seu nono dia e podem continuar até ao Natal

Michel Euler

Nove linhas de metro fechadas em Paris.

As mobilizações em França contra a reforma dos sistema de pensões, que paralisam vários setores mas sobretudo os transportes públicos, entraram no seu nono dia esta sexta-feira e podem continuar até ao Natal, apesar das tentativas de diálogo do Governo.

Os sindicatos de professores, que também estão mobilizados por medo de perder grande parte da sua reforma, serão recebidos hoje pelo ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer. Por outro lado, a greve nos transportes não conhece trégua. A CGT-Cheminots, um dos principais sindicatos das ferrovias, anunciou que a greve continuará "a menos que o Governo volte à razão", retirando o seu projeto.

Nas estradas e no transporte público, o tráfego permaneceu muito congestionado, principalmente na região de Paris, onde nove linhas de metro permanecem fechadas e pouco mais de 50% dos autocarros estão parados.

Dependendo das linhas, um entre dois ou três dos comboios regionais (servindo os subúrbios) está a operar, um quarto dos comboios de alta velocidade (TGV) e a mesma proporção de comboios suburbanos parisienses.

Benoit Tessier

Longe de apaziguar a contestação, os detalhes do projeto divulgados na quarta-feira pelo primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, despertaram oposição de todos os sindicatos, incluindo aqueles que anteriormente apoiavam as mudanças nas reformas e pensões. Diante deste cenário e, para impedir que o movimento se ampliasse ainda mais, Philippe convidou as organizações sindicais e de empregadores para um "ciclo de reuniões".

O que está em causa

O primeiro-ministro espera que estas conversações comecem "o mais rápido possível na próxima semana", anunciou o seu gabinete na noite de quinta-feira à agência de notícias AFP. Reiterou ainda a determinação do Governo em introduzir um "sistema universal de reformas" por pontos para substituir os atuais 42 regimes, mas com algumas concessões aos sindicatos.

O calendário foi estendido: o novo sistema vai aplicar-se apenas aos franceses nascidos em 1975 e posteriormente, garantiu Edouard Philippe.

O desaparecimento dos regimes especiais foi confirmado, mas para os motoristas da companhia ferroviária SNCF e da autoridade de transportes de Paris RATP, a reforma será aplicada a partir da geração de 1985. Também foram anunciadas medidas para os mais precários, em particular a introdução de uma pensão mínima garantida de 1.000 euros.

Entretanto, o chefe do governo alertou que "a única solução é trabalhar um pouco mais (...), como é o caso em toda a Europa".
Se a idade legal para a reforma permanecer fixada em 62, o projeto prevê uma "idade de equilíbrio" gradualmente aumentada para 64 e "um sistema por bónus" para incentivar as pessoas a trabalhar por mais tempo.

Estas medidas são consideradas inaceitáveis para sindicatos, que prometeram ampliar o movimento de greve.