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Mais de 4.100 valas comuns com 142.505 corpos descobertas no Burundi

(Aquivo 2016)

Evrard Ngendakumana

Valas resultam de conflitos étnicos ocorridos entre 1885 e 2008.

Mais de 4.100 valas comuns com 142.505 corpos, resultantes de conflitos étnicos ocorridos entre 1885 e 2008, foram encontradas no Burundi, revelou esta terça-feira a Comissão para a Verdade e Reconciliação do país.

De acordo com a comissão, entre a altura em que o país passou a ser colónia da Alemanha e depois da Bélgica (1885) até cinco anos depois do fim da guerra civil (2008) foram encontradas no Burundi 4.160 valas comuns, nas quais foram contabilizadas e identificadas até ao momento 142.505 pessoas enterradas.

Os dados foram apresentados hoje ao parlamento, em Buyumbura, pelo presidente da comissão, Pierre Claver Ndayicariye, que adiantou ter sido possível identificar os corpos através de declarações de testemunhas, cúmplices e presumíveis autores da violência nos conflitos que afetaram o país durante este período.

Ndayicariye explicou que as antigas potências coloniais, Bélgica e Alemanha, concordaram em colaborar com a comissão na procura da verdade.O presidente da comissão reconheceu, por outro lado, que, em matéria de reconciliação, ainda falta percorrer um longo caminho.

"Ainda estamos no início. Ainda há várias fases de trabalho por explorar", disse.

O mandato da comissão, criada em maio de 2014, era investigar os conflitos étnicos que afetaram este país africano desde a independência da Bélgica, em 01 de julho de 1962, até à assinatura do cessar-fogo com o último grupo rebelde, em 04 de dezembro de 2008.

No entanto, uma nova lei aprovada pelo Parlamento do Burundi em outubro de 2018 prolongou o mandato da comissão por quatro anos para cobrir também o período colonial desde 1885.

Um dos episódios mais negros da História do Burundi investigados foi a guerra civil (1993-2005), que resultou na histórica divisão entre a minoria tutsi, apoiada pelas potencias coloniais, e a maioria marginalizada hutu.

Desencadeada pelo assassinato do primeiro Presidente hutu eleito do país, Melchior Ndadaye, em outubro de 1993, a guerra opôs o exército, dominado pelos tutsis, e diversos grupos rebeldes hutus.

O conflito, onde os dois lados usaram centenas de crianças soldado, causou mais de 300 mil mortos.

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