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Manifestantes incendeiam esquadras na Guiné-Conacri

(Arquivo)

Jerome Delay

É o 2.º dia consecutivo de protestos na Guiné-Conacri contra a eventual candidatura do Presidente Alpha Condé a um 3.º mandato.

Duas esquadras foram esta terça-feira incendiadas na cidade de Pita, a 200 quilómetros de Conacri, no segundo dia consecutivo de protestos na Guiné-Conacri contra a eventual candidatura do Presidente Alpha Condé a um terceiro mandato, indicaram as autoridades.

"A sede da esquadra territorial e o comissariado central da polícia de Pita foram apedrejados, saqueados e incendiados pelos manifestantes", indicou, em comunicado o Ministério da Segurança.

Uma testemunha, citada pela agência France-Presse e que pediu anonimato, disse que foram "várias centenas" de manifestantes que "aproveitaram a oportunidade para roubar armas e alimentos".

A Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC), um coletivo de partidos, sindicatos e membros da sociedade civil que vem liderando o protesto nos últimos três meses, convocou uma mobilização "maciça" e "ilimitada" por todo o país desde segunda-feira.

Dois jovens manifestantes foram mortos na segunda-feira durante os confrontos com as autoridades policiais em Conacri e Labé (norte), de acordo com fontes concordantes das autoridades e da oposição.

Em Conacri, os manifestantes voltaram hoje a confrontar-se com a polícia, mas os protestos, que na segunda-feira fecharam escolas, bancos e postos de gasolina, foram muito menos expressivos, segundo as agências noticiosas.

As manifestações voltaram a ocorrer também hoje em várias outras cidades, inclusive em Lelouma (norte), onde "um polícia foi baleado" e dois outros polícias ficaram feridos na sequência do arremesso de pedras, segundo o Ministério da Segurança.

Desde meados de outubro, o FNDC tem mobilizado milhares de manifestantes nas ruas do país, protestos dos quais resultou já a morte de 20 civis e um polícia. Dezenas de pessoas foram detidas.

A oposição está convencida de que o chefe de Estado, eleito em 2010 e reeleito em 2015, pretende candidatar-se à reeleição no final de 2020, quando a Constituição limita a dois o número de mandatos presidenciais.

As suspeitas foram reforçadas em dezembro, quando o Alpha Condé, 81 anos, indicou que tencionava apresentar aos guineenses um projeto para uma nova Constituição.