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Líderes mundiais vão suspender apoio militar às partes em guerra na Líbia

Ismail Zetouni

Dirigentes apelaram também a um cessar-fogo permanente.

Os dirigentes dos países que participaram este domingo na conferência sobre a Líbia comprometeram-se a respeitar o embargo de armas decidido em 2011 pelas Nações Unidas e a renunciar a qualquer interferência estrangeira no conflito líbio.

Numa conferência realizada sob a égide da ONU em Berlim, 11 países, incluindo a Rússia e a Turquia, concordaram que não há "uma solução militar" para este conflito, que atinge o país há 10 anos, declarou a chanceler alemã, Angela Merkel, no final.

Os participantes apelaram também a um cessar-fogo permanente, segundo o comunicado final.

Para assegurar que há um respeito efetivo e duradouro pelo fim das hostilidades, vão ser organizados em breve encontros entre representantes militares líbios dos dois campos. Um convite será feito nos próximos dias, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Para a consolidação do cessar-fogo, o emissário da ONU apelou às duas partes rivais para formarem uma "comissão militar" composta por dez oficiais, cinco de cada lado.

Esta comissão terá por missão definir no terreno os mecanismos de aplicação do cessar-fogo.

Os participantes também chegaram a acordo para "respeitar" o embargo de armas e quanto a um controlo mais rigoroso do mesmo, disse Merkel, numa conferência de imprensa conjunta com Guterres e com o emissário da ONU na Líbia, Ghassan Salamé.

O embargo foi decretado em 2011 pela ONU, mas nunca foi seriamente respeitado.

"Temos assistido a uma escalada no conflito, tendo este atingido nos últimos dias uma dimensão perigosa", declarou Guterres, que apontou "o risco de uma verdadeira escalada regional".

"Todos os participantes se comprometeram a renunciar a interferências no conflito armado ou em questões internas da Líbia", indicou Guterres.

A Turquia apoia militarmente o governo de Fayez al-Sarraj, em Tripoli, e a Rússia, apesar de negar, é suspeita de apoiar o marechal Khalifa Haftar, líder do Exército Nacional Líbio e homem forte do leste do país.

Desde que os combates recomeçaram entre os dois lados rivais, em abril de 2019, mais de 280 civis e 2.000 combatentes foram mortos e, segundo a ONU, mais de 170 mil habitantes tiveram de ser deslocados.

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