Mundo

Violência armada em Moçambique leva a transferência de 3 mil alunos

Themba Hadebe

Cerca de 3.000 alunos foram transferidos para outras escolas no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, devido à ação de grupos armados na região, indicaram as autoridades de educação.

A diretora dos Serviços de Educação, Juventude e Tecnologia de Muidumbe, Ostília Lucas, afirmou que cinco escolas do distrito ainda não abriram no ano letivo em curso por causa da violência armada.

A situação está a afetar igualmente 43 professores, que tiveram de ser colocados noutras escolas.

"Fizemos a redistribuição dos professores por escolas da zona alta e os alunos também foram acolhidos nalgumas escolas", declarou Ostília Lucas.

Situação semelhante afeta o centro do país, onde também há violência armada.

Estatísticas da Direção Provincial da Educação e Desenvolvimento Humano de Manica divulgadas no início da semana pela Lusa, indicam que 2.000 alunos de cinco escolas do ensino primário, nas zonas de ataques não se inscreveram devido à insegurança que afeta as localidades de Muda Serração, Chibuto I, Chibuto II e Pindanganga, no interior do distrito de Gondola.

JEROME DELAY

No Centro, os ataques a aldeias e estradas - que já fizeram 22 mortos em meio ano - são atribuídos a antigos guerrilheiros da Renamo, descontentes com os termos do acordo de paz assinado em agosto entre o partido e o Governo.

No Norte, grupos armados aterrorizam desde 2017 vários distritos da província de Cabo Delgado e já provocaram entre 350 e 400 mortos entre agressores, residentes e militares moçambicanos, além de deixar cerca de 60.000 afetados ou obrigados a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo as Nações Unidas.

O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique conta com 8,4 milhões de alunos no novo ano letivo, um aumento de 4,7% em relação a 2019.

O Ministério contava contratar 12.894 professores, mas dificuldades financeiras só lhe permitiram contratar metade deste número, esperando suprir o défice logo que houver disponibilidade por parte do Ministério da Economia e Finanças - o que tornará possível reduzir o rácio dos atuais 65 alunos por professor para 62.