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Polícia reprime manifestação opositora no leste de Caracas

Carlos Jasso

Os manifestantes pretendiam chegar à sede do parlamento para apoiar o líder da oposição, Juan Guaidó.

A Guarda Nacional Bolivariana reprimiu esta terça-feira um protesto convocado pela oposição no leste de Caracas, capital da Venezuela, através do qual manifestantes pretendiam chegar à sede do parlamento para apoiar o líder da oposição, Juan Guaidó.

Os manifestantes partiram da Praça Juan Pablo II, em Chacao, e ao chegarem a Chacaíto (no centro, a quase três quilómetros de distância) foram barrados por dezenas de polícias que, em alguns momentos, os superavam em número.

Em motocicletas e atrás de equipamentos antimotim, os polícias lançaram bombas de gás lacrimogéneo e um 'spray' vermelho contra os manifestantes, alguns dos quais responderam atirando pedras.

A repressão ocorreu depois de Juan Guaidó pedir às forças de segurança que permitissem a passagem dos manifestantes.

Os manifestantes acabaram por mudar o destino do protesto, que passou a ser a Praça Alfredo Sadel de Las Mercedes, onde se decorre uma assembleia de deputados opositores.

"Sabíamos das intenções da ditadura e estávamos preparados. Cumprimos com o objetivo de hoje, em todo o país. Demonstrámos que não há medo e vamos aprovar um roteiro nacional" de protestos, disse Juan Guaidó aos jornalistas.

Entretanto, a imprensa local dá conta de manifestações da oposição em várias regiões da Venezuela e também de várias estradas terem sido bloqueadas pela Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), entre as quais a Guarenas--Caracas, dificultando a circulação em direção à capital.

Por outro lado, centenas de apoiantes do regime do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, concentraram-se hoje em vários locais de Caracas, para marchar também até à sede do parlamento.

A iniciativa visou apoiar a Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime) e o Governo, mas também pela paz e contra as sanções norte-americanas e para assinalar o papel da mulher na sociedade venezuelana.

Em PDVSA La Campiña, um dos pontos de encontro, era notória a baixa afluência de manifestantes pró-regime, em contraste com o registado na Praça Morelos, onde mais de mil pessoas condenaram "as sanções dos EUA contra a paz" na Venezuela.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente da Assembleia Nacional (parlamento) e líder da oposição ao regime, Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de presidente interino até conseguir afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e promover eleições livres no país.

Mais de 50 países apoiam o autoproclamado presidente interino da Venezuela, entre eles Portugal, uma decisão tomada no âmbito da União Europeia.

Desde janeiro último que a oposição tem dificuldades em aceder à sede do parlamento, onde funciona também a Assembleia Constituinte.

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