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Afeganistão promete libertar 1.500 talibãs como gesto de boa vontade

Presidente afegão Ashraf Ghani.

Rahmat Gul / AP

Os 3.500 prisioneiros restantes serão libertados após o início das negociações intra-afegãs.

O Presidente afegão Ashraf Ghani emitiu hoje um decreto, após uma série de atrasos, no qual promete libertar 1.500 prisioneiros talibãs como um gesto de boa vontade para iniciar as negociações intra-afegãs.

O recente acordo de paz assinado entre os Estados Unidos e o grupo extremista Talibã exigia a libertação de cinco mil prisioneiros.

O decreto presidencial prevê que a primeira libertação de 1.500 prisioneiros seja feita com base na idade, saúde e duração das penas.

Os prisioneiros libertados, que serão identificados biometricamente, também terão de dar uma garantia por escrito de que não voltarão ao campo de batalha.

Os 3.500 prisioneiros restantes serão libertados após o início das negociações intra-afegãs.

A cada duas semanas serão liberados 500, desde que os talibãs reduzam a violência no campo de batalha, de acordo com o decreto assinado por Ghani.

No entanto, mesmo se os talibãs concordarem em iniciar negociações, a turbulência política e os conflitos intermináveis entre Ghani e o principal rival, Abdullah Abdullah, que também se apresenta como Presidente do Afeganistão, deixaram Cabul com problemas para criar uma equipa de negociação unida.

O decreto de Ghani surgiu depois de o Departamento de Estado dos EUA ter considerado que o nível de violência "é inaceitável" e que, embora os talibãs tenham interrompido os ataques contra as forças da coligação liderada pelos EUA e nas cidades afegãs, a violência no campo de batalha permanece intensa.

A declaração norte-americana também mencionou que a "crise eleitoral presidencial" no Afeganistão, numa aparente referência às duas tomadas de posse e ao caos político, atrasou a criação de uma equipa nacional de negociação e o início das negociações intra-afegãs, que deviam começar na terça-feira em Oslo, na Noruega.

Ainda assim, os Estados Unidos começaram a retirar as tropas, como estabelecido no acordo assinado em 29 de fevereiro com os talibãs. Na primeira fase, Washington vai reduzir o contingente militar de 13 mil para 8.600.

Se os talibãs mantiverem os compromissos assumidos de negarem refúgio a terroristas no Afeganistão, Washington vai retirar as restantes tropas em 14 meses, segundo o acordo.

Quando foi assinado, o acordo foi apontado como a melhor oportunidade para o Afeganistão encontrar a paz após 40 anos de guerra.

Por outro lado, ofereceu aos Estados Unidos uma saída após quase 19 anos de guerra, um dos conflitos mais longos da história norte-americana. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou crescente frustração com o Governo afegão.

Ghani e Abdullah acabaram por se declararem chefes de Estado, com representantes dos Estados Unidos e de outros países a compareceram à cerimónia de tomada de posse de Ghani, mas a pedirem aos dois homens que negociassem um único Governo.