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Capitão de navio envolvido em colisão fatal no Danúbio declarou-se inocente

Bernadett Szabo

O navio "Mermaid" transportava 33 turistas sul-coreanos e dois tripulantes húngaros.

O julgamento do capitão de um navio de cruzeiro fluvial envolvido numa colisão fatal com uma embarcação que transportava turistas sul-coreanos, em Budapeste, em 2019, começou esta quarta-feira com o réu a negar responsabilidades.

Em 29 de maio de 2019, o navio "Mermaid", que transportava 33 turistas sul-coreanos e dois tripulantes húngaros, afundou-se, após colidir com o navio de cruzeiro "Viking Sigynb", no rio Danúbio, em Budapeste.

Sete turistas sul-coreanos sobreviveram ao naufrágio, uma pessoa continua desaparecida e foram encontrados os corpos de 27 vítimas mortais.

O "Viking Sigynb" era pilotado por um capitão ucraniano, Yuri Caplinsky, de 64 anos, que foi acusado de ter violado o código de conduta no rio, provocando numerosas mortes, além de outros 35 crimes, incluindo o de não ter assistido pessoas em perigo.

No julgamento que hoje se inicia em Budapeste, os procuradores pedem uma sentença de nove anos de prisão e uma proibição de operação de navios por nove anos adicionais, se Caplinsky se declarar culpado do acidente.

Os procuradores dizem que Caplinsky ignorou negligentemente a proximidade perigosa de dois outros navios e que não conseguiu reter a marcha a tempo de evitar a colisão.

O capitão ucraniano nega a responsabilidade pela colisão, rejeitando a proposta dos procuradores, e negando a acusação de não ter prestado atenção à suas funções, enquanto dirigia o navio.

"Eu não vi a embarcação", escreveu o capitão, numa mensagem que enviou para os filhos, alguns minutos após a colisão, segundo a acusação.

O advogado de defesa pediu ao juiz que sejam ouvidos especialistas, parentes das vítimas e sobreviventes, para justificar as razões do acidente.

A colisão dos dois navios fluviais no Danúbio foi o mais grave das últimas décadas, na Hungria, tendo afundado o que transportava os turistas sul-coreanos em poucos segundos, arrastando passageiros e tripulação para águas com temperaturas entre 10 e 15 graus Celsius.

Segundo o código penal húngaro, o capitão está sujeito a uma pena que varia entre dois e 11 anos de prisão.A próxima sessão do julgamento será no dia 30 de abril.