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Pelo menos oito mercenários sírios mortos em combates nos subúrbios de Tripoli

Russell Cheyne

Os mercenários foram recrutados pela Turquia para lutar ao lado do Governo da Líbia.

Pelo menos oito mercenários sírios, recrutados pela Turquia para lutar ao lado do Governo da Líbia, morreram nos combates travados nos últimos quatro dias nos subúrbios do sul da capital Tripoli, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Com estas baixas, eleva-se para 151 o número de mercenários sírios mortos desde o início deste ano, adiantou o Observatório Sírio.

Os corpos dos mercenários foram repatriados para a Síria e enterrados em áreas sob o controlo das milícias "Escudo do Eufrates" na região de Aleppo, precisou a organização.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, as mortes ocorreram nas frentes de batalha a sul da capital, como Al Salah Al-Din, Al Ramlah ou Al Hadabah, todos próximos ao antigo aeroporto internacional de Tripoli, um ponto-chave para a conquista da cidade, mas também da vizinha cidade de Misrata, que mantém laços históricos, económicos e estratégicos com a Turquia.

Os mercenários pertencem a grupos de rebeldes sírios, como as divisões Al-Mutasim, Sultan Murad e as brigadas Suqur Al-Shamal Al-Hamzat e Suleiman Shah, segundo a mesma fonte.Desde que a Turquia enviou tropas e decidiu apoiar a contratação de mercenários sírios, 4.750 desembarcaram para lutar na Líbia.

A sangrenta guerra civil que assola a Líbia desde o fracassado processo de paz implementado pelas Nações Unidas em 2015 intensificou-se desde que o marechal Khalifa Hafter, líder do governo não reconhecido no leste do país, ordenou a realização de um cerco à capital.

Desde então, cerca de 1.500 pessoas - mais de 300 civis - morreram, 15 mil ficaram feridas e mais de 130 mil cidadãos foram forçados a deixar as suas casas e a engrossar o número de deslocados.

Este comandante, que controla a maior parte das reservas de petróleo da Líbia e quase todo o território nacional, tem o apoio económico e militar da Rússia, Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos - países que fornecem mercenários, armas e superioridade aérea - e conta com o apoio político da França e dos EUA.

Paralelamente, o Governo do Acordo Nacional (GNA), reconhecido pela comunidade internacional, recebe ajuda económica e militar do Qatar, Turquia e Itália, além da poderosa cidade-estado de Misrata, e dificilmente domina e controla a capital e algumas populações ocidentais com a cumplicidade de milícias salafistas e diversos "senhores da guerra".