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Jihadista que preparou bomba biológica condenado a 10 anos de prisão na Alemanha

Sergei Karpukhin

O tribunal de Dusseldorf considerou que Sief Allah H. pretendia matar "muitas pessoas" com a preparação deste atentado.

Um jihadista acusado de ter preparado na Alemanha um atentado inédito, com uma bomba biológica à base de ricina, foi esta quinta-feira condenado a dez anos de prisão.

O tribunal de Dusseldorf considerou que Sief Allah H., um tunisino de 31 anos, pretendia matar "muitas pessoas" com a preparação deste atentado que constituiria "uma infração grave e colocando o Estado em perigo", segundo a agência noticiosa dpa.

Esta sentença corresponde ao pedido do procurador, num processo em que a defesa pedia uma pena de oito anos de prisão.

O processo foi iniciado no verão de 2019 e também abrangeu a sua companheira alemã Yasmine H., 43 anos, que o ajudou no projeto. No entanto, as acusações contra a suspeita foram separadas pelo facto de os juízes terem acusado o seu advogado de obstrução à justiça.

Sief Allah H. era carteiro na Tunísia antes de viajar para a Alemanha em 2016.

"Pela primeira vez na Alemanha, foram julgados os acusados que prepararam um ataque com um agente biológico", felicitou-se o procurador.

A sua detenção em junho de 2018 terá provavelmente evitado o primeiro ataque biológico na Alemanha, considerou o chefe da polícia criminal alemã, Holger Münch.

O casal, que prestou fidelidade ao grupo 'jihadista' Daesh mas que não conseguiu juntar-se aos seus combatentes na Síria, decidiu no outono de 2017 perpetrar um ataque na Alemanha.

Alguns dias após a detenção de Sief Allah H. no início de junho de 2018 em Colónia, os investigadores encontraram no seu apartamento 84,3 mg de ricina e cerca de 3.000 sementes de ricina, que permitiram fabricar o veneno. Os efeitos do produto tinham sido testados num hamster.

Esta substância, 6.000 vezes mais potente que o cianeto, é mortal em caso de ingestão, inalação ou injeção.

Na sua residência foi ainda apreendido outro material para o fabrico do engenho. A sua detenção foi possível na sequência da cooperação entre serviços de informações nacionais e internacionais, adiantou na ocasião o então chefe dos serviços de informações internos, Hans-Georg Maassen.

Sief Allah H. rejeitou a acusação de ato terrorista, e esta quinta-feira afirmou no tribunal que "a 'jihad' não é bárbara, é um dever do islão".

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