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Oposição diz que elementos da equipa de Guaidó "foram sequestrados"

Manaure Quintero

Pelas forças de segurança.

A oposição venezuelana denunciou esta quinta-feira que 10 colaboradores do líder opositor e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, "foram sequestrados" nos últimos dias pelas forças de segurança.

"Dez membros da sua equipa foram sequestrados, cinco deles nas últimas 72 horas", refere um comunicado divulgado em Caracas e dirigido à comunidade internacional.

O documento anuncia que na quinta-feira oficiais da Direção de Contrainteligência Militar (serviços de informações militares), "organismo repressivo do regime narcoterrorista de Nicolás Maduro, sequestraram" o seu assessor de Juan Guaidó, Demóstenes Quijada, e a assistente Maury Carrero.

Demóstenes Quijada "foi sequestrado na presença da mulher e de um filho de 8 anos de idade com a desculpa de que estavam numa operação por motivo da covid-19".

"Por detrás de tudo isso está a retaliação política do regime de Nicolás Maduro", o Presidente do país, refere o comunicado.

Esta retaliação, que inclui 'operações tun-tun' (ações surpresa contra a oposição), é designada de "fúria bolivariana", a expressão usada pelo regime para intimidar da oposição e que tem como alvo os colaboradores de Juan Guaidó.

A oposição diz que está a enfrentar pessoas que enfrentam processos na justiça internacional e cujos crimes "são cometidos desde uma posição de poder", pedindo aos governos e organismos multilaterais que "permaneçam atentos perante as ameaças sobre a vida, liberdade e integridade física" de Juan Guaidó, da sua família e colaboradores.

"A tirania de Nicolás Maduro, aproveitando-se da situação atual de quarentena e confinamento devido à pandemia da covid-19, usa essa vulnerabilidade para atacar os adversários políticos, persegui-los, detê-los à força, sem o mais mínimo respeito pelos seus direitos e dignidade humana", afirma.

Hoje, o diretor da organização não-governamental Foro Penal Venezuelano (FPV), Alfredo Romero, denunciou, através da sua conta na rede social Twitter que desde o início da quarentena, em 13 de março, foram detidas 23 pessoas.

Segundo Romero, também que tem havido "violações no acesso à justiça".

Os advogados de defesa são obrigados a esperar as audiências fora do tribunal e os detidos estão em "masmorras imundas dos tribunais, esperando sem comer", refere a FPV.

Entre os detidos está um piloto de apelido Gamboa, de 64 anos de idade, acusado de terrorismo.

Na quarta-feira, o número dois do chavismo (depois de Nicolás Maduro), Diosdado Cabello, que é presidente da Assembleia Constituinte, advertiu a oposição, através da televisão estatal, que iria aplicar "a fúria bolivariana" contra quem apoiasse uma possível invasão dos Estados Unidos contra a Venezuela.

"Vou fazer uma recomendação aos esquálidos (opositores) que andam contentes porque vão chegar os fuzileiros em barcos: estão a meter-se em problemas, porque quando puserem um pé aqui, nós iremos atrás de vocês senhores, que têm pedido uma invasão à nossa pátria", disse.

"Assumam a vossa responsabilidade que nós assumimos a nossa. Alegrem-se se quiserem, façam festa, mas assim que algo parecido acontecer, vamos atrás de vocês. A fúria bolivariana está em alerta", acrescentou Diosdado Cabello.

A crise política, económica e social na Venezuela, agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou assumir publicamente as funções de presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres e democráticas no país.

Mais de 60 países apoiam Juan Guaidó, entre eles Portugal, uma decisão tomada no âmbito da União Europeia.