Mundo

Reclusos organizaram um motim numa prisão de Manaus e fizeram sete guardas reféns

Bruno Kelly

Os reclusos exigem melhores condições dentro da cadeia, as quais se degradaram ainda mais desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Reclusos de uma cadeia na cidade de Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas, um dos mais atingidos pela pandemia de coronavírus, amotinaram-se e mantiveram pelo menos sete agentes prisionais como reféns, informaram fontes oficiais.

As autoridades locais informaram que os reclusos da Unidade Penitenciária de Puraquequara, na zona leste de Manaus, iniciaram uma rebelião pelas 06:00 (hora local, 10:00 em Lisboa) deste sábado, durante a distribuição do pequeno-almoço.

Foi nesse momento que um grupo de reclusos conseguiu sair das suas celas, queimou alguns colchões e fez como reféns pelo menos sete agentes penitenciários.

Os presos exigem melhores condições dentro da cadeia, as quais se degradaram ainda mais desde o início da pandemia do novo coronavírus, que levou ao colapso total dos serviços médicos e funerários do Amazonas.

Até ao momento não há relatos de mortes, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas, que desde março mantém suspensas as visitas de familiares às prisões da região, para evitar contágio pelo vírus.Batalhões de choque da Polícia Militar já estão no local, a negociar com os presidiários amotinados.

O estado do Amazonas, que faz fronteira com a Venezuela, Colômbia e Peru e tem cerca de quatro milhões de habitantes, registou até sexta-feira 476 mortes e 5.723 casos confirmados da Covid-19.

Segundo dados oficiais, o número de enterros nos cemitérios municipais de Manaus passou de uma média diária de 30 para 120, nas últimas duas semanas.

Além disso, no ano passado, Manaus foi palco de motins sangrentos e brigas carcerárias, causados por lutas pelo poder entre gangues rivais ou entre diferentes correntes da mesma fação criminosa.

Uma das últimas ocorreu há quase um ano, no final de maio de 2019, quando foram registadas lutas em várias prisões de Manaus, que deixaram pelo menos 55 mortos.

Em 2017, uma batalha sangrenta entre presos de fações rivais deixou 56 pessoas mortas, muitas delas decapitadas, e quase 200 prisioneiros escaparam.

O sistema penitenciário brasileiro é considerado, por organizações internacionais de direitos humanos, como um dos "piores" e "mais desumanos" do mundo.