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Irão diz que Alemanha proibiu Hezbollah para pagar "dívida histórica" aos judeus

Alexander Zemlianichenko

MNE iraniano afirma que proibição se destina unicamente a ir ao encontro da "máquina de propaganda dos regimes americano e sionista".

O Irão afirmou esta segunda-feira que a decisão da Alemanha de proibir as atividades do movimento xiita libanês Hezbollah no país é uma tentativa de pagar uma "dívida histórica" para com os judeus.

"Temos a sensação de que os alemães parecem ter uma dívida histórica, que liquidam, com os sionistas, e que, de certa maneira, não se apercebem que o mundo inteiro, e os muçulmanos, podem reagir", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Moussavi, numa conferência de imprensa em Teerão.

Na quinta-feira, a Alemanha anunciou ter "proibido a atividade da organização terrorista Hezbollah" no seu território, adiantando atender a um pedido de longa data dos Estados Unidos e de Israel.

No dia seguinte, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que a proibição se destina unicamente a ir ao encontro da "máquina de propaganda dos regimes americano e sionista".

Para Teerão, o Hezbollah é "um partido poderoso e legítimo, representado no Governo e no parlamento libanês", disse Moussavi, acrescentando que a decisão alemã "só vai criar problemas".

Num artigo de opinião, o diretor do diário ultraconservador iraniano Kayhan, Hossein Shariatmadari, nega a política de extermínio dos judeus pela Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial e atribui a decisão a "uma vaga de insatisfação do povo alemão" pelo "controlo do seu país" pelo "regime terrorista israelita que mata crianças".

Shariatmadari afirma que a decisão alemã foi "ditada por Israel", apontando "setores inteiros da economia alemão" que "estão nas mãos dos judeus", assim como o parlamento federal, onde diz sentarem-se "mais de 100 deputados judeus que nem sequer são alemães".

"Numerosos alemães compreendem hoje que a Shoah não passa de uma mistificação, de uma grande mentira fabricada", diz ainda Shariatmadari, nomeado para as funções pelo guia supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei.

A Shoah é o nome hebreu dado ao massacre de seis milhões de judeus durante o regime nazi alemão.