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Nove polícias sírios raptados e executados no sul do país

Ataque ainda não foi reivindicado.

Um grupo de atacantes desconhecidos raptou e executou hoje a tiro nove polícias na província de Daraa, sul da Síria, uma região regularmente assolada por atentados contra as forças pró-regime, referiu uma ONG.

O ataque, que não foi reivindicado, foi dirigido contra o edifício do município na localidade de al-Mazirib, um setor próximo da fronteira com a Jordânia, indicou o Observatório sírio dos direitos humanos (OSDH).

"Desconhecidos atacaram a municipalidade (...) e raptaram nove membros das forças da ordem que depois mataram a tiro e abandonaram os corpos numa praça" pública, indicou Rami Abdel Rahmane, diretor da OSDH, em declarações à agência noticiosa AFP.

A agência noticiosa oficial síria Sana não forneceu detalhes sobre este ataque e limitou-se a citar um comunicado do ministério do Interior sobre a morte em al-Mazirib de nove polícias "mortos no exercício das suas funções pelo ataque de um grupo terrorista".

Os atentados são frequentes em Daraa, mas é muito rara a forma como decorreu o ataque de hoje e o elevado número de vítimas que provocou.

"Os ataques contra as forças do regime visam geralmente postos de controlo rodoviário e patrulhas, e não locais governamentais", precisou Abdel Rahmane.

As forças pró-regime em Daraa, e ainda civis que trabalham com as instituições estatais, são regulamente alvo de ataques ou de assassinatos seletivos, segundo a OSDH.

A província de Daraa, berço da sublevação desencadeada em 2011 contra o regime de Bashar al-Assad, foi retomada aos rebeldes no verão de 2018 pelas forças governamentais, apoiadas pela Rússia.

As instituições governamentais foram reinstaladas em Daraa mas, segundo a OSDH, as forças armadas não estão estacionadas em toda a província.

Esta região é a única que não registou uma deserção em massa dos rebeldes após a sua reconquista, na sequência de um acordo negociado por Moscovo, aliado de Damasco.

Os ex-rebeldes que permaneceram no local juntaram-se às forças militares sírias ou mantiveram o controlo de certas regiões da província, e ainda diversos bairros na cidade de Daraa.

Uma fação 'jihadista' anteriormente presente numa pequena bolsa da província, prestou obediência ao grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI), que continua a reivindicar atentados na província.

A guerra civil na Síria, iniciada em 2011 na sequência da repressão de manifestações pacíficas, já provocou mais de 380.000 mortos e milhões de refugiados e deslocados.