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Pelo menos 78 migrantes retidos no Mediterrâneo à espera de um porto europeu

Os migrantes em questão saíram do território líbio há três dias e foram resgatados no domingo no Mar Mediterrâneo por um navio mercante.

Pelo menos 78 migrantes resgatados domingo e procedentes da Líbia permaneciam esta segunda-feira a bordo de um navio mercante no Mar Mediterrâneo à espera de um porto europeu seguro para desembarcar, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Uma porta-voz da OIM, Safa Msehli, relatou que os migrantes em questão saíram do território líbio há três dias e foram resgatados no domingo no Mar Mediterrâneo por um navio mercante.

Segundo Safa Msehli, o navio mercante que transporta este grupo de migrantes ainda não conseguiu até ao momento qualquer autorização para atracar num porto europeu.

Perante tal situação, a representante da OIM reiterou os apelos à União Europeia (UE) para que seja acordado e estabelecido um mecanismo claro e seguro que permita o desembarque de migrantes resgatados no Mediterrâneo, mencionando ainda que este navio mercante é a quarta embarcação que resgata migrantes procedentes da Líbia em menos de uma semana.

A par deste caso, as agências internacionais noticiaram que uma embarcação, igualmente com migrantes a bordo, atracou num porto em Malta e foi colocado em quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus.

As agências também referiram que outra embarcação conseguiu chegar à ilha italiana de Lampedusa, enquanto um outro navio foi intercetado e obrigado a regressar à Líbia.

A Líbia tornou-se nos últimos anos uma placa giratória para centenas de milhares de migrantes, sobretudo africanos e árabes, que tentam alcançar a Europa através do Mar Mediterrâneo.

Devido à situação do país, imerso num caos político e securitário desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011, a Líbia tem sido igualmente um terreno fértil para as redes de tráfico ilegal de migrantes e de situações de sequestro, tortura e violações.

A maioria dos migrantes tenta fazer a travessia do Mediterrâneo em botes de borracha mal equipados e muito precários em termos de segurança.

Segundo as mais recentes estimativas da OIM, mais de 20 mil pessoas terão morrido durante a travessia da rota migratória do Mediterrâneo desde 2014.

Ao longo dos últimos anos, a UE apoiou a guarda costeira líbia e outras forças locais para tentar conter a saída de migrantes em direção à Europa.

Várias organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos sempre denunciaram que tais esforços tinham deixado os migrantes à mercê de grupos armados locais ou retidos em centros de detenção sobrelotados e com condições de vida muito precárias.

Em fevereiro passado, a UE acordou trocar a missão de patrulhamento e de controlo do fluxo de migrantes no Mediterrâneo (designada como Sophia) por uma missão que visa bloquear a entrada de armas na Líbia e cumprir o embargo imposto pelo Conselho de Segurança da ONU, encarado como essencial para travar o conflito civil em curso no território líbio.

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