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Alemanha entrega à Rússia 20 mil documentos sobre prisioneiros da II Guerra Mundial

Dmitri Lovetsky

O estudo daqueles dados pode "dar um novo impulso ao esclarecimento de muitos destinos humanos, a investigações científicas".

A Alemanha entregou esta quarta-feira à Rússia a cópia digital de 20.000 documentos sobre prisioneiros soviéticos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"Hoje entregamos à Rússia os primeiros 20.000 documentos digitalizados do fundo do Arquivo Federal da Alemanha e vamos entregar muitos mais", disse o embaixador da Alemanha em Moscovo, Géza Andreas von Geyr, numa conferência de imprensa virtual, antes de entregar uma 'pen' [dispositivo de arquivo digital] ao representante do Kremlin para a cooperação cultural internacional, Mikhail Shvidkoi.

Recordando o aniversário em breve do final daquele conflito, o diplomata referiu que esta ação representa para os alemães "o agradecimento pela libertação dos horrores do nacional-socialismo, a lembrança do sofrimento imensurável causado pela guerra e o respeito pelas suas vítimas".

Von Geyr leu uma mensagem enviada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, que destaca que a entrega de "dados não tratados de prisioneiros de guerra soviéticos e civis que estiveram em campos de concentração" é um passo importante para as relações entre Berlim e Moscovo.

"Justamente agora, quando celebramos o 75.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, significa um contributo importante para conservar a memória e aprofundar a reconciliação entre alemães e russos", sublinha o chefe da diplomacia alemã.

Segundo Maas, o estudo daqueles dados pode "dar um novo impulso ao esclarecimento de muitos destinos humanos, a investigações científicas".

Este é um projeto de longa data, coordenado pelos dois países, que poderá ajudar a esclarecer os destinos de mais de cinco milhões de prisioneiros de guerra soviéticos, "três milhões dos quais morreram devido a humilhações sistemáticas dos alemães", adiantou Maas.

Shvidkoi agradeceu a entrega dos documentos, assinalando a importância de acabar com os "espaços em branco" que ainda existem na história dos dois países.

"Este projeto é importante para que as pessoas deixem o seu estatuto de desconhecidos (...), regressem às suas famílias, à memória histórica sem a qual não podemos viver", adiantou.

Após a entrega formal dos documentos, o representante do Kremlin lamentou que não se pudesse celebrar o ato com um aperto de mão e um brinde com vodka devido à pandemia do novo coronavírus.

A covid-19 alterou os planos das autoridades russas de assinalarem com uma grande parada militar o 75.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi, a 9 de maio.

No passado dia 16 de abril, o Presidente Vladimir Putin anunciou o adiamento do desfile militar, mas realçou que se realizará ainda em 2020 "declarado Ano da Memória e da Glória".