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Há um buraco negro mais próximo da Terra do que se pensava

Imagem artística do sistema triplo com o buraco negro mais próximo da Terra alguma vez detetado.

ESO

Está a apenas 1000 anos-luz de distância e é possível "vê-lo" a olho nu.

É silencioso, invisível e não é violento, mas os astrónomos não têm dúvidas de que é um "buraco verdadeiramente negro". E conseguiram "vê-lo" a olho nu, numa noite escura e límpida no hemisfério sul, sem binóculos ou telescópio. Está a apenas 1000 anos-luz de distância o que o torna o buraco negro mais próximo do nosso Sistema Solar.

Com o potente telescópio MPG/ESO situado no Observatório de La Silla, no Chile, uma equipa de astrónomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) estava a "perseguir" duas estrelas para um estudo sobre sistemas sistemas estelares duplos.

E ao analisar os dados recolhidos perceberam que, escondido, havia um terceiro corpo desconhecido.

"As observações levadas a cabo com o espectrógrafo FEROS montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros em La Silla mostraram que uma das duas estrelas visíveis orbita um objeto invisível com um período de 40 dias, enquanto a segunda estrela se encontra a maior distância do par mais interior", segundo o comunicado do ESO.

Este buraco negro escondido no sistema HR 6819, na constelação de Telescópio, é o que se encontra mais próximo do nosso Sistema Solar do que qualquer outro encontrado até à data.

“Este sistema contém o buraco negro mais próximo da Terra que conhecemos”, anuncia Thomas Rivinius, cientista do ESO que liderou o estudo publicado a 4 de maio na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

A apenas 1000 anos-luz de distância da Terra, "o sistema encontra-se tão perto de nós que as suas estrelas podem ser vistas a partir do hemisfério sul numa noite escura e límpida sem binóculos ou telescópio".

“Ficámos bastante surpreendidos quando compreendemos que este é o primeiro sistema estelar com um buraco negro que podemos observar a olho nu,” afirma Petr Hadrava, cientista emérito da Academia de Ciências da República Checa em Praga e co-autor deste trabalho.

"Silencioso e invisível (...) parece ser verdadeiramente negro"

Invísivel e silencioso já se sabe que são características de um buraco negro. Mas não ser violento é novidade.

"O buraco negro escondido no HR 6819 é um dos primeiros buracos negros estelares descoberto que não interage violentamente com o meio que o circunda e portanto parece ser verdadeiramente negro".

Até à data, os astrónomos descobriram apenas cerca de duas dúzias de buracos negros na nossa galáxia, quase todos em interação violenta com o seu meio envolvente e dando provas da sua presença pela emissão de fortes raios X.

“Um objeto invisível com uma massa de pelo menos 4 vezes a massa do Sol, só pode ser um buraco negro", garante Thomas Rivinius.

Podem estar escondidos muitos mais buracos negros na Via Láctea

Os astrónomos acreditam que esta pode ser apenas a ponta do iceberg e que podem existir outros buracos negros semelhantes.

"A descoberta de um buraco negro silencioso e invisível no sistema HR 6819 fornece-nos pistas sobre onde possam estar escondidos muitos dos buracos negros da Via Láctea".

“Devem haver centenas de milhões de buracos negros, mas nós apenas conhecemos alguns. Saber o que procurar dá-nos agora uma melhor oportunidade de os encontrar”, explica Thomas Rivinius.

Imagem de grande angular da região do céu onde se situa HR 6819

Imagem de grande angular da região do céu onde se situa HR 6819

ESO

"Situado na constelação do Telescópio, o sistema encontra-se tão perto de nós que as suas estrelas podem ser vistas a partir do hemisfério sul numa noite escura e límpida sem binóculos ou telescópio", explica o ESO em comunicado..

O que são buracos negros

São corpos extremamente densos e escuros no centro das galáxias de onde nada escapa, nem mesmo a luz.

A deformação do espaço-tempo provocada por um buraco negro é descrita pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein.