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Mais de 900 talibãs libertados na troca de prisioneiros com Cabul

Em simultâneo, os talibãs libertaram 132 prisioneiros da administração afegã,

Mais de 900 combatentes talibãs já foram libertados por Cabul no âmbito da troca de prisioneiros incluída no acordo assinado no final de fevereiro em Doha entre os Estados Unidos e os insurgentes, anunciou hoje um responsável afegão.

"Até ao momento foram libertados das prisões afegãs 933 detidos talibãs", indicou Javed Faisal, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança Afegã em declarações à agência noticiosa AFP.

Em simultâneo, os talibãs libertaram 132 prisioneiros da administração de Cabul, indicou à AFP o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid.

O acordo entre Washington e os talibãs de 29 de fevereiro prevê uma retirada das forças estrangeiras do Afeganistão num período de 14 meses, na condição de os rebeldes respeitarem diversos compromissos securitários e iniciem negociações "inter-afegãs" sobre o futuro do país.

As negociações envolvem uma vasta troca de prisioneiros, 5.000 talibãs detidos por Cabul contra 1.000 membros das forças afegãs na posse dos insurgentes.

Este processo, que deveria ter ficado concluído em 10 de março, a data inicialmente prevista para o início dos contactos inter-afegãos, foi protelado sucessivamente devido a diversos obstáculos, incluindo divergências no interior do Governo afegão.

Cabul, que não assinou o acordo de Doha, argumentou designadamente que os talibãs exigiam a libertação de 15 dos seus "altos comandantes". Os insurgentes acusaram por sua vez as autoridades afegãs de atrasarem inutilmente o processo.

Em meados de abril, Zalmay Khalilzad, emissário norte-americano responsável pelas negociações entre os EUA e os talibãs, tinha definido a primeira troca de prisioneiros como uma "etapa importante no processo de paz e redução das violências".

No entanto, e apesar de Washington ter imposto uma trégua de nove dias aos rebeldes por ocasião da assinatura do acordo de Doha, as ações violentas regressaram ao país asiático.

"Entre 01 e 31 de março os talibãs não atacaram as forças da coligação. Mas aumentaram os ataques contra as forças afegãs a níveis superiores às registadas em períodos semelhantes", reconheceu recentemente a missão da NATO no Afeganistão.

Zalmay Khalilzad desloca-se ainda esta semana ao Qatar, Índia e Paquistão para obter um novo apoio regional para o acordo de Doha, e pretende intensificar a pressão sobre os talibãs para que ponham termo aos ataques armados.

Após mais de 18 anos de conflito, o Presidente dos EUA Donald Trump tem reafirmado a intenção de retirar a breve prazo todas as tropas norte-americanas do Afeganistão.