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Estados Unidos admitem que golpe contra Maduro tenha sido encenado

Manaure Quintero

Autoridades norte-americanas estão a investigar o caso e estão convencidas de que a operação também não teve qualquer envolvimento da oposição ao Governo venezuelano.

Os Estados Unidos admitem que o recente fracassado golpe que procurou derrubar o regime venezuelano possa ter sido orquestrado pelo próprio Governo de Nicolas Maduro.

Nos passados dias 3 e 4, um grupo de mais de 50 mercenários, venezuelanos e norte-americanos, fracassou um ataque marítimo contra o regime do Presidente Nicolas Maduro, em que morreram pelo menos oito pessoas no confronto contra as forças armadas venezuelanas, segundo as autoridades de Caracas.

"Ainda estamos a apurar o que aconteceu. Mas não ficaria nada surpreendida se viermos a concluir que se tratou de uma encenação preparada pelo próprio Governo da Venezuela", disse Carrie Filipetti, assistente adjunta da secção de negócios do hemisfério ocidental do Departamento de Estado norte-americano.

Carrie Filipetti repetiu a ideia já transmitida pelo Presidente Donald Trump de que os Estados Unidos nada tiveram a ver com esse ataque fracassado, apesar de ter envolvido ex-militares norte-americanos a soldo de uma empresa de segurança privada com sede em Miami, no estado da Florida.

"Tal como disse o Presidente e o secretário de Estado (Mike Pompeo), o Governo dos EUA não teve nem tem nenhum conhecimento sobre essa operação, a que somos totalmente alheios", disse Filipetti, numa videoconferência de imprensa que a Lusa acompanhou.

A responsável do Departamento de Estado diz que as autoridades norte-americanas estão a investigar o caso e estão convencidas de que a operação também não teve qualquer envolvimento da oposição ao Governo venezuelano, ao contrário do que tem sido defendido pelo regime de Caracas, que atribui o golpe a um acordo entre os Estados Unidos e o líder da oposição, Juan Guaidó.

"Há algumas questões que precisam de resposta. Quem pagou a operação? Quem pagou os meios militares que foram usados? Sabemos que não foi o Governo dos EUA e sabemos que não foi a oposição venezuelana", disse Carrie Filipetti.

O golpe está também a ser investigado pelas autoridades russas, que prometeram ao Presidente Nicolas Maduro todo o apoio na revelação das causas da operação militar fracassada.

Na passada semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, disse que os serviços secretos da Rússia e da Venezuela estão em contacto, após o fracassado golpe que procurou derrubar o regime de Nicolas Maduro, não descartando a hipótese de ajudar as autoridades venezuelanas a esclarecer o caso.

Os Estados Unidos estão convencidos de que tudo pode não ter passado de uma encenação encomendada pelo Governo de Nicolas Maduro e prometem também manter as investigações sobre a operação e trazer de volta dois ex-militares norte-americanos que foram detidos pelas autoridades venezuelanas, acusados de envolvimento no golpe.

"Tudo faremos para os ter de volta a casa", disse Trump, a propósito de dois ex-boinas verdes (membros de um corpo especial do exército dos EUA) que estão presos nos arredores de Caracas, mas insistindo em que o Governo dos EUA não participaram na invasão contra o regime de Maduro.