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Rússia nega ter enviado aviões de combate à Líbia e acusações dos EUA

Maxim Shemetov

Andrei Krasov assinalou que a posição russa "é bem conhecida".

A Rússia desmentiu esta terça-feira as denúncias do Exército dos Estados Unidos para África (AFRICOM) sobre o envio de aviões de combate russos para a Líbia com o fim de apoiar grupos de mercenários no país africano.

"É uma nova história de horror ao estilo norte-americano. É uma notícia falsa e uma desinformação no espírito das anteriores administrações norte-americanas", declarou o primeiro vice-presidente do Comité de Defesa da Duma (Parlamento), Andrei Krasov, citado pela agência noticiosa Interfax.

O deputado russo assinalou que a posição russa "é bem conhecida".

"Defendemos o fim do derramamento de sangue na Líbia. Apelamos a todas as partes do conflito a absterem-se do uso das armas e a sentarem-se à mesa das negociações", afirmou.

Para Krasov, os Estados Unidos "jogaram mais vez à roleta russa". Hoje, na Alemanha, as Forças Armadas norte-americanas acusaram a Rússia de ter deslocado recentemente aviões de caça para a Líbia destinados a apoiar os mercenários que combatem no terreno ao lado do marechal dissidente Khalifa Haftar.

"A Rússia tenta claramente fazer pender a balança a seu favor na Líbia, à semelhança do que fez na Síria intensifica o seu envolvimento militar em África utilizando grupos de mercenários apoiados pelo Estado como o grupo Wagner", referiu em comunicado o general Stephen Townsend, comandante das forças norte-americanas em África, a partir do seu quartel-general sediado em Estugarda, na Alemanha.

Os aviões de combate russos de quarta geração "chegaram à Líbia a partir de uma base aérea russa após terem transitado pela Síria, onde pensamos que terão sido pintados de novo para dissimular a sua origem russa", indicou o comando africano do exército norte-americano, que também pretende denunciar uma violação do embargo da ONU às armas no país assolado por uma guerra civil, e as promessas de não intervenção num conflito interno.

Khalifa Haftar, o homem forte do leste da Líbia, conduz há mais de um ano uma ofensiva destinada a subjugar a capital Tripoli (oeste), a sede do Governo de Acordo Nacional (GAN) reconhecido pela ONU.

Os combates alastraram rapidamente a sul da capital, enquanto as forças de Haftar têm registado nas últimas semanas diversos reveses.A Rússia sempre desmentiu o seu envolvimento no conflito.

No entanto, um relatório de peritos da ONU elaborado no início de maio confirmou a presença na Líbia de mercenários do grupo Wagner, considerado próximo do Presidente Vladimir Putin.

Segundo o GAN, várias centenas ainda permanecem no terreno.

O exército norte-americano prevê que esteja em preparação "uma nova campanha aérea" no país com "pilotos mercenários russo que voam em aparelhos fornecidos pela Rússia para bombardear os líbios" e assumir o controlo de bases aéreas na costa.

Os dois atuais poderes rivais são apoiados por diversas potências estrangeiras. Os Emirado Árabes Unidos e a Rússia apoiam o campo Haftar, enquanto a Turquia intervém militarmente junto do GAN. Ao beneficiarem do apoio turco, as forças pró-GAN registaram nas últimas semanas diversos sucessos militares, em particular devido à sua superioridade aérea.