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Rússia "escandalizada" pela violência policial contra jornalistas

Lucas Jackson

Em particular contra uma colaboradora da agência russa Sputnik, agredida enquanto cobria as manifestações.

A Rússia disse esta terça-feira estar "escandalizada" pela violência da polícia norte-americana contra os jornalistas, em particular contra uma colaboradora da agência russa Sputnik, agredida enquanto cobria as manifestações que abalam os Estados Unidos.

"Estamos escandalizados pela violência contínua que a polícia norte-americana utiliza contra a imprensa internacional que faz cobertura das manifestações", indicou, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Moscovo refere-se notavelmente o caso de Nicole Russel, colaboradora da agência estatal russa Sputnik, atingida na segunda-feira por uma bala de borracha disparada pela polícia e "atirada ao chão e literalmente pisada" por um polícia, apesar de ter apresentado o cartão de imprensa.

Segundo o ministério, a jornalista "sofreu vários ferimentos" e a "crueldade escandalosa e ilegal", como se referiu ao ocorrido, aconteceu perto dos muros da Casa Branca, em Washington.

"Observamos com preocupação que a situação dos direitos de imprensa nos Estados Unidos está a deteriorar-se dia após dia", afirmou a diplomacia russa, apelando às autoridades norte-americanas para acabarem com a "arbitrariedade policial" contra a imprensa.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos quatro mil pessoas foram detidas e o recolher obrigatório foi imposto em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, mas diversos comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra os manifestantes têm intensificado os protestos.

Os quatro polícias envolvidos no incidente foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi detido, acusado de assassínio em terceiro grau e de homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.