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Ciclone atinge Mumbai, na Índia, com ventos fortes e risco iminente de inundações

Francis Mascarenhas

É o primeiro ciclone grave a atingir a cidade de Mumbai em mais de um século.

O ciclone Nisarga chegou à região de Mumbai, capital financeira indiana, com ventos e chuvas fortes que ameaçam inundar zonas costeiras e bairros de lata, num momento que as autoridades locais tentam conter a pandemia do novo coronavírus.

Segundo as previsões do Departamento de Meteorologia da Índia, o Nisarga, que é o primeiro ciclone grave a atingir a cidade de Mumbai - na costa oeste daquele país e capital do Estado indiano de Maharashtra - em mais de um século, ia chegar a terra firme com chuvas fortes e com rajadas de vento que podiam atingir os 110 quilómetros por hora.Imagens transmitidas em direto pelas televisões locais e outras divulgadas pelas forças de emergência e de proteção civil indianas mostraram veículos derrubados, estradas bloqueadas com árvores, casas de construção precária destruídas ou sem teto.

À medida que o ciclone avançava para a costa oeste da Índia, muitas pessoas que vivem nos bairros de lata de Mumbai, cidade com mais de 18 milhões de habitantes, decidiram proteger as respetivas casas com tábuas. Já outras optaram por abandonar as suas habitações.

Horas antes da chegada do ciclone Nisarga, as autoridades municipais patrulharam as ruas, recorrendo a megafones para apelar à população que permanecesse em locais resguardados, em refúgios seguros, e que deixasse as áreas costeiras.

Os serviços meteorológicos indicaram igualmente que no Estado de Goa, a sul de Maharashtra, já tinham sido registados 127 milímetros de chuva, o equivalente a cerca de uma semana de precipitação.

Numa ação de prevenção, cerca de 100 mil pessoas foram retiradas das zonas mais baixas dos Estados de Maharashtra e Gujarat, segundo a agência indiana Press Trust of India.

Os dois estados indianos, que estão entre os mais atingidos pela atual pandemia do novo coronavírus, ativaram equipas de resposta de emergência a catástrofes, receando os efeitos de potenciais inundações e o seu impacto num sistema de saúde já sobrecarregado.

"Se os hospitais e as clínicas ficarem danificados pelo ciclone, a cidade não será capaz de lidar com o grande número de casos de covid-19 e as medidas de distanciamento social irão tornar-se praticamente impossíveis de praticar", afirmou a diretora-executiva da organização Save the Children na Índia, Bidisha Pilai, num comunicado.

Cerca de 200 doentes com covid-19 que estavam internados em Mumbai num hospital de campanha recentemente construído foram transferidos para um local "com um telhado coberto", como medida de precaução, segundo informaram as autoridades locais.

O Nisarga surge duas semanas após outro forte ciclone, o Amphan, que matou cerca de 100 pessoas na Índia Oriental e no Bangladesh e causou danos materiais significativos.