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Polícia brasileira abre inquérito para investigar divulgação de dados de Bolsonaro

Adriano Machado

Presidente brasileiro afirmou que a divulgação dos dados se tratou de uma "medida de intimidação".

A Polícia Federal brasileira determinou na terça-feira a abertura de um inquérito para apurar a divulgação de dados pessoais do Presidente, Jair Bolsonaro, dos seus filhos e ministros, pelo grupo de hackers (piratas informáticos) Anonymous Brasil.

Segundo a revista Época, do grupo Globo, a Polícia Federal está ainda a definir o delegado que irá conduzir a investigação, que visa apurar crimes previstos no Código Penal brasileiro, na Lei de Segurança Nacional e na Lei das Organizações Criminosas.

A abertura do inquérito surgiu horas depois do ministro da Justiça do Brasil, André Mendonça, ter informado na rede social Twitter que determinou à Polícia Federal o início das investigações à divulgação "de informações pessoais do Presidente, Jair Bolsonaro, seus familiares e demais autoridades".

Já Bolsonaro indicou que se tratou de uma "medida de intimidação" e que serão tomadas medidas legais.

"Em clara medida de intimidação, o movimento de hacker Anonymous Brasil divulgou, em conta do Twitter, dados do Presidente da República e familiares. Medidas legais estão em andamento, para que tais crimes não passem impunes", escreveu o chefe de Estado na mesma rede social.

Segundo informações publicadas pelos media locais, os piratas informáticos publicaram dados pessoais, como endereços, números de documentos e contactos telefónicos dos atingidos em links, entretanto apagados pelo Twitter. Foram também divulgadas informações sobre registos de empregos, rendimentos e bens, como imóveis e automóveis.

Além do chefe de Estado brasileiro, foram alvo do ataque os filhos envolvidos na atividade política: Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.

Também tiveram informações pessoais divulgadas ilegalmente os ministros da Educação, Abraham Weintraub, a ministra da Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves, além de outros apoiantes conhecidos do Presidente brasileiro, como o empresário Luciano Hang.

Nas suas redes sociais, Carlos Bolsonaro confirmou a divulgação das suas informações pessoais.

"A turma pró-democracia vazou os meus dados pessoais e de outros na internet. Após vermos violações do direito à livre expressão, agora ferem a privacidade. Sob a desculpa de combater o mal, justificam seus crimes e fazem justamente aquilo que nos acusam, mas nunca provam!", escreveu.

O empresário Luciano Hang disse que os seus documentos foram usados para pedir o auxílio de emergência do Governo para pessoas de baixos rendimentos durante a pandemia de Covid-19.

Já o ministro Weintraub declarou que, a par da sua família, tem sido ameaçado de morte.

"Muitas famílias patriotas estão a ser ameaçadas. Os nossos lares não estão mais seguros. Querem-nos calar. Não me lamento, escolhi essa trilha. A luta pela liberdade e a defesa da ordem é fundamental para termos um país onde criar nossos filhos", escreveu o ministro da Educação no Twitter.

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