Mundo

Ministério Público do Brasil conclui que esfaqueador de Bolsonaro agiu sozinho

Ricardo Moraes

É pedido o arquivamento do inquérito.

O Ministério Público (MP) brasileiro concluiu que o autor do esfaqueamento ao Presidente do país, Jair Bolsonaro, em 2018, agiu sozinho, tendo pedido na quinta-feira o arquivamento provisório do segundo inquérito que investiga o crime.

Na manifestação enviada à Justiça Federal em Juiz de Fora, município onde Bolsonaro foi esfaqueado, o MP indicou que, após analisar a investigação, concluiu que o autor, Adélio Bispo de Oliveira, "concebeu, planeou e executou sozinho o atentado".

Apesar das conclusões do inquérito apontarem que o investigado executou o crime sozinho, o pedido de arquivamento enviado à Justiça Federal é provisório devido a diligências que dependem de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e que podem, em tese, "revelar a existência de grupo ou pessoas que tenham instigado ou induzido Adélio à prática do atentado", referiu o MP.

A diligência pendente é a análise do telemóvel e dos materiais apreendidos no escritório do ex-advogado de Adélio Bispo, Zanone Manoel de Oliveira Júnior.

Em 06 de setembro de 2018, quando participava num comício eleitoral na cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, o então candidato presidencial Jair Bolsonaro sofreu um ataque com faca, tendo sido posteriormente submetido a várias cirurgias.

O autor do ataque contra Bolsonaro foi preso no mesmo dia, mas em junho do ano passado a justiça absolveu-o por considerar que tem problemas mentais.

A prisão preventiva do autor confesso do ataque foi convertida em internamento psiquiátrica por tempo indeterminado.

Em março passado, o juiz Bruno Savino, de primeira instância, determinou que Adélio Bispo fosse internado num hospital psiquiátrico na cidade de Barbacena, também em Minas Gerais.

"Adélio já estava em Juiz de Fora quando o ato de campanha foi programado. Portanto, não se deslocou até a cidade com o objetivo de cometer o crime. Ele não mantinha relações pessoais com ninguém em Juiz de Fora, tampouco estabeleceu contactos que pudessem ter exercido influência sobre o atentado. Não efetuou ou recebeu ligações telefónicas ou troca de mensagens com possível interessado no atentado ou relacionadas ao crime", frisou hoje o MP.

Segundo o inquérito, ficou também evidente que, nas contas bancárias de Adélio Bispo e dos seus familiares investigados, não houve nenhuma movimentação financeira incompatível com as suas atividades trabalhistas ou com os respetivos padrões de vida.

"Além disso, não foram recebidos valores atípicos ou de origens desconhecidas. Não há respaldo [suporte] à hipótese de que o delito pudesse ter sido praticado mediante pagamento", reforçou o Ministério Público em comunicado.

Caberá agora ao magistrado Bruno Savino decidir se o caso será arquivado ou não.

O primeiro inquérito sobre o caso foi concluído em setembro de 2018, no mesmo mês em que o crime ocorreu. A investigação inicial já havia considerado que Adélio Bispo tinha agido sozinho no momento do ataque e que a motivação teria sido "indubitavelmente política".

O segundo inquérito foi iniciado por decisão da Polícia Federal, para assegurar que não houve a participação de terceiros, como um eventual autor moral do ataque - hipótese que acabou por ser descartada.

Nesta que foi a segunda investigação realizada pela Polícia Federal sobre o caso, todo o material que foi apreendido ao autor do ataque foi analisado novamente.

Foram investigados dois 'terabytes' de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, milhares de documentos, fotografias e 'e-mails' recebidos e enviados em contas registadas em nome de Adélio Bispo.

A polícia também ouviu dezenas testemunhas, o que resultou na elaboração de 23 autos periciais. Sigilos fiscais, bancários e telefónicos do acusado foram levantados, que foi também alvo de diligências de busca e apreensão.

Desde que assumiu o cargo presidencial, em janeiro de 2019, Bolsonaro teve vários problemas de saúde decorrentes do esfaqueamento, tendo passado por várias cirurgias.