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Amazon proíbe polícia de usar tecnologia de reconhecimento facial

Tony Gutierrez

Empresa explica tratar-se de uma "moratória" de um ano.

A Amazon vai proibir, durante um ano, as forças policiais de usarem a sua tecnologia de reconhecimento facial Rekognition, em resposta aos protestos antirracismo e contra a brutalidade policial nos Estados Unidos, anunciou a empresa norte-americana.

Num comunicado divulgado na quarta-feira no seu blogue oficial, a empresa explica tratar-se de uma "moratória" de um ano, para que o Congresso tenha tempo de "implementar as regras adequadas" em relação ao uso daquela tecnologia, baseada em inteligência artificial, por parte das forças policiais.

A Amazon não especificou como irá aplicar a proibição, embora seja provável que o faça recusando-se a fornecer o serviço às forças policiais e negando o suporte técnico àqueles que já disponham daquela tecnologia.

A empresa, com sede em Seattle, no estado norte-americano de Washington, referiu que, após o assassinato de George Floyd e a consequente onda de protestos em todo o país, "parece que o Congresso está preparado para assumir o desafio" de regular o uso das tecnologias de reconhecimento facial.

Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em Minneapolis, no estado do Minnesota, depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de a vítima dizer que não conseguia respirar.

A decisão da Amazon foi tomada dois dias depois de um outro 'gigante' da tecnologia, da IBM, ter anunciado que iria deixar o negócio do reconhecimento facial.

No ano passado, São Francisco, no estado da Califórnia, tornou-se na primeira grande cidade norte-americana a proibir várias entidades, incluindo a polícia, o uso de técnicas de reconhecimento facial, cada vez mais usadas pelas autoridades para identificar criminosos, mas criticadas por organizações de defesa dos direitos civis.

Há vários anos que governos e agências de segurança de todo o mundo usam as técnicas de reconhecimento facial (capazes de identificar pessoas usando inteligência artificial) em tarefas como identificação de criminosos, ajudar na busca de menores desaparecidos ou prevenir fraudes em documentos.

No entanto, organizações de defesa dos direitos civis defendem que esta tecnologia invade a privacidade dos cidadãos de forma excessiva e pode perpetuar os preconceitos por parte da polícia em relação a minorias étnicas, visto ter sido provado que tende mais a errar com pessoas de pele escura.

Neste sentido, um estudo levado a cabo em 2018 pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês) demonstrou que o reconhecimento facial tinha identificado erradamente 28 congressistas norte-americanos (na sua maioria pertencentes a minorias étnicas) como criminosos, ao comparar as suas fotografias com imagens da polícia.