Mundo

Ativistas na China libertam pangolim para celebrar novas regras de proteção

Prapan Chankaew

Para celebrar as novas regras que protegem aquela espécie em vias de extinção.

Ativistas na China libertaram um pangolim no habitat natural, visando celebrar novas regras que protegem aquela espécie em vias de extinção e cujo consumo pelo ser humano é suspeito de estar na origem do novo coronavírus.

Voluntários resgataram o pangolim, apelidado de Lijin, depois de ele ter sido encontrado por um pescador, na província de Zhejiang, leste da China.

"É um bom começo, mas não é ainda o suficiente", afirmou Zhou Jinfeng, secretário-geral do Fundo de Conservação e Desenvolvimento Verde da Biodiversidade da China.

No ano passado, em Zhejiang, as autoridades prenderam 18 contrabandistas e confiscaram 23,1 toneladas de escamas de pangolim, provenientes de cerca de 50.000 criaturas, segundo a imprensa estatal chinesa.

"Vamos libertar muitos mais em breve", disse Zhou, que prometeu soltar todos os pangolins em cativeiro na China.

O grupo Save Pangolins, com sede nos Estados Unidos, considerou que a concessão da China de atribuir estatuto de alto nível de proteção ao pangolim, no início deste mês, foi "uma enorme vitória para os pangolins", depois de anos de fraca aplicação das restrições existentes.

As escamas de pangolim são um ingrediente da medicina tradicional chinesa e a sua carne é considerada uma iguaria por alguns.

Organizações de defesa do ambiente dizem que os caçadores ilegais regularmente contornavam os regulamentos para vender escamas e carne de pangolins, caçados ilegalmente, e com origem em África e no Sudeste Asiático.Isso fez dos pangolins "um dos mamíferos mais comercializados ilegalmente no planeta".

A Agência de Investigação Ambiental estima que cerca de um milhão de animais foram vendidos nos últimos 15 anos e apreensões foram registadas da Bélgica a Singapura, Austrália ou Filipinas.

As novas regras proíbem a criação de pangolins em cativeiro e o uso das suas escamas na indústria de medicina tradicional do país.

Zhou disse que os esforços para travar a venda de pangolins na China foram impulsionados pelo aumento da consciência global sobre o comércio de animais silvestres, ligado ao surto do coronavírus, que teve origem na cidade de Wuhan, centro da China.

Cientistas defendem que o coronavírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos através de um animal intermediário, como o pangolim.

O comércio de animais silvestres, incluindo morcegos e pangolins, tem sido associado às chamadas doenças zoonóticas, que passam de animais para seres humanos, e a China rapidamente reprimiu o setor, com uma série de medidas defendidas há muito tempo por grupos de defesa do ambiente.

Zhou disse que os pangolins nativos da China foram praticamente eliminados.

Nos últimos cinco anos, Zhou e voluntários encontraram apenas cinco, em habitats onde antes viviam centenas de milhares.

As novas regras permitem a grupos de proteção dos animais processar empresas e indivíduos que vendem escamas de pangolim.

  • 14:18
  • 2:34